Abertura

As terríveis consequências da política de integração forçada de povos indígenas brasileiros são o tema da presente exposição, organizada pela Câmara de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF. Com a curadoria do pesquisador e coordenador do Armazém Memória Marcelo Zelic, a mostra traz documentos que revelam atrocidades cometidas contra populações indígenas em pleno século XX, quando o integracionismo vigorava como política oficial, até a Constituição de 1988.

As imagens e peças relacionam dois momentos distintos da investigação de violências contra os direitos humanos em nosso país, interligando o Relatório Figueiredo e o trabalho da Comissão Nacional da Verdade.

Produzido em 1967, o Relatório Figueiredo registrou matanças de comunidades inteiras, torturas e toda sorte de crueldades contra indígenas em todo o país. As violações de direitos foram cometidas principalmente por políticos, latifundiários e funcionários do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura e, em seguida, ao Ministério do Interior. A divulgação do relatório chocou o Brasil e o mundo, motivando a extinção do SPI.

A localização do documento em 2012 foi importante para desenvolver o tema das violências contra os indígenas nos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV). A CNV não conseguiu identificar todas as vítimas fatais no período, mas estima em mais de oito mil o número de mortos indígenas, em apenas 10 povos estudados.

É possível conferir um pouco do trabalho do Ministério Público Federal, em alguns casos emblemáticos de violações de direitos humanos, na busca pela reparação a esses povos e na efetivação da justiça de transição no Brasil.

O integracionismo como política de Estado teve consequências desastrosas e repercussões que perduram até os dias de hoje. Recontar essa história é essencial para que não seja necessário revivê-la e para assegurar aos povos indígenas o direito à existência e à diversidade previsto na Constituição de 1988.

Campanha para televisão produzida pela União das Nações Indígenas (UNI), entidade de defesa dos direitos dos povos indígenas do Brasil veiculada em 1989.

Itinerâncias

Memorial do MPF na Procuradoria Geral da República de 09 a 16 de abril de 2019 e no Memorial dos Povos Indígenas de Brasília de 25 de abril a 12 de maio de 2019. As exposições programadas para 2020 na Universidade de Brasília organizada pelo Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (OBIND) e na Câmara dos Deputados encaminhada pelo gabinete da Deputada Federal Joênia Wapichana, foram canceladas devido à pandemia.  

Armazém Memória

O Centro de Referência Virtual Indígena do Armazém  Memória, criado em 2012, é fruto do mapeamento de arquivos, fundos e coleções para o desenvolvimento do relatório do grupo de trabalho sobre as graves violações contra os povos indígenas, criado no âmbito das pesquisas da Comissão Nacional da Verdade.

Evento de Lançamento

Agradecemos a Antonio Carlos Bigonha, subprocurador da república e coordenador da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão (2018-2020por esta importante iniciativa. Leia aqui sua carta por ocasião do lançamento virtual da exposição em 12/06/2020.

Exposição

Clique nas imagens para visitar a exposição.

Para uma melhor visualização, sugerimos usar o recurso de tela cheia em um computador de mesa ou notebook, clicando na tecla F11. Caso sua tela seja pequena, clique na miniatura com o lado direito do mouse para abrir em uma nova guia, em seu tamanho grande.

Ao Povo Brasileiro

{

Não teria um momento mais oportuno pra gente poder trazer esta exposição e principalmente neste espaço do Ministério Público Federal, pra gente poder estar aqui mais uma vez, recebendo esse apoio, essa afirmação de que a gente está junto, para poder, justamente, evitar que estas histórias se repitam.

É muito claro, que toda nossa história, revela cinco séculos de muita sangria mesmo, de períodos muito sangrentos, porque toda e qualquer  base de planejamento do Brasil, seja de crescimento industrial, seja de desenvolvimento nacional, considerando a exploração do meio ambiente, tudo se deu com base na exploração dos povos indígenas. Com a expulsão, com a violência e com o extermínio de povos e redução de população.

Quando a gente olha todos estes relatos com fotos, com falas, com tudo que representou todo o período da ditadura, demarca muito bem o que foi nossa história, desde 1500. Nunca foi diferente. Agora, rememorar hoje, é muito importante, para a gente não só lembrar do que foi toda essa violência, mas para a gente poder fazer essa incidência na sociedade, nos órgãos [do Estado], para evitar a repetição. Por isso este tema é muito certeiro, respeito ou repetição?

- Sonia Guajajara

Organize sua exposição

Você pode montar esta exposição em sua cidade, escola, aldeia, instituição. É só  baixar  os arquivos em pdf, imprimir colorido no tamanho original A3 e organizar um evento por respeito aos povos indígenas do Brasil e seus direitos constitucionais à terra, cultura, organização social e vida plena. Compartilhe em suas redes e convide seus amigos e amigas a visitá-la.

O Manual de Jurisprudência dos Direitos Indígenas foi lançado junto com a exposição Respeito ou Repetição? A História que não se quer reviver. Importante conhecer.

Visite também as redes sociais do Armazém Memória e da APIB 

Divulgue a exposição em suas redes sociais