GENOCÍDIO INDÍGENA

Violência Continuada

 

 

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Massacre do Paralelo 11 contra o povo Cinta Larga em 1963.

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ESPECIAL

GENOCÍDIO INDÍGENA: VIOLÊNCIA CONTINUADA

O Centro de Referência Virtual Indígena apresenta uma série de páginas especiais contendo retratos da violência sofrida e da resistência dos povos indígenas, que reúne em uma linha do tempo documentos destacados do Armazém Memória, compondo esses registros com mostra de filmes, exposição, artigo e sugestões de leitura, abrindo uma janela para se olhar  a história, através da relação entre o acervo reunido e o tema proposto. Visitar a história recente nos ajuda a compreender o presente em que vivemos, bem como a justeza da luta dos povos indígenas do Brasil, por demarcação de suas terras e respeito a seus direitos constitucionais, como também a necessidade histórica de reparação às violências sofridas pelos povos indígenas a cada ciclo de desenvolvimento empreendido pela sociedade brasileira, o estado nacional e seus governos de turno.

APRESENTAÇÃO

O especial Genocídio Indígena: violência continuada traz registros que reunidos demonstram a constância das graves violações de direitos humanos sofridas pelos povos indígenas no Brasil. A documentação aponta para uma prática permanente de um modelo de desenvolvimento, sem respeito à Constituição, que reconheu o caráter multiétnico existente no país, agredindo a diversidade étnica e cultural, bem como o território indígena e o meio ambiente, se valendo da mesma lógica das guerras de conquistas iniciadas na invasão portuguesa de 1500.

A relação dos povos indígenas com a sociedade brasileira e o Estado, em todas suas esferas, é marcada pela imposição de legislação e uso da força para retirada de direitos e esbulho das terras, promovendo atentados, assassinatos, chacinas, massacres, mortandade por doenças, muitas vezes inoculada de forma criminosa, porque proposital, gerando dor, penúria, desassossego e sofrimento junto às comunidades indígenas por todo o país, tendo por fim a apropriação de seus territórios por setores economicos que controlam e executam esse modelo de desenvolvimento em sociedade, excludente, voltado para o acúmulo financeiro e de bens, onde, em relação aos povos indígenas, pretende a integração ao sistema de castas resultante do esforço de construir um país moldado a seus interesses, peconceitos e desejos.

Percorrendo o período dos anos 1940 a 2021 percebemos que a ação de genocídio, diferente do senso comum, que o identifica somente em violências e ataques de grandes proporções e alto número de vítimas, ocorrido em um curto período de tempo, o genocídio praticado contra os povos indígenas no Brasil, tem um caráter diferente; é permanente, estrutural e cíclico, com distensões e intensificações do uso de violência, mas presente década após década, variando de intensidade conforme os tipos de governo. Genocídio continuado porque ao longo deste período os objetivos desenvolvimentistas se fazem os mesmos, com praticas que colidem com os tratados internacionais e os direitos constitucionais garantidos aos povos indígenas, presentes na Marcha para o Oeste emprendida pelo ditadura Vargas (1937-1945), como também na política de integração da ditadura militar (1964-1985) retomada de forma explícita após o golpe de 2016  e a ascensão de Bolsonaro ao poder em2019), prevalecendo como uma guerra de baixa intensidade em todos os períodos entre os ciclos de ditaduras vividas no Brasil.

O especial traz também a exposição “Respeito ou Repetição? A história que não se quer reviver” organizada pela 6ª Câmara do Ministério Público Federal durante a gestão do Subprocurador-Geral Antonio Carlos Bigonha, que retrata a violência apurada pelo Estado brasileiro através do Relatório Figueiredo (1967-1968) e da Comissão Nacional da Verdade (2012-2014), apontando a necessidade de repação, mudança de condutaa frente as políticas indigenistas e criação de mecanismos de não-repetição. Traz também artigo do coordenador do Armazém Memória e curador da exposição, a mostra de filmes “Ditadura e Povos Indígenas” e sugestão de leituras para o aprofundamento do tema proposto neste especial.

Demarcar e respeitar, é reparar.

Marcelo Zelic 

Coordenador do Armazém Memória e membro da Comissão Justiça e Paz de São Paulo.

Cartaz da campanha contra o genocídio nos anos 1980 realizada pela UNI, ANAÍ e CIMI.

Leia a entrevista com o líder Guarani Marçal de Souza Tupã-i sobre a União das Nações Indígenas no jornal Borduna editado pela Comissão Pró-Índio (RJ).

Participação indígena na Assembleia Nacional Constituinte – Manifesto contra os decretos de extermínio

Encontro promovido pela UNI entre Milton Nascimento e os Ashaninka. Desta experiência surge o álbum TXAI.

Mostra de cinema indígena que ocorreu em São Paulo 1992.

LINHA DO TEMPO

Artigo publicado por Marcelo Zelic no relatório 2020 do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) sobre a violência contra os povos indígenas no Brasil, com “uma análise sobre a utilização, feita pelo atual governo, de conceitos já superados para restringir os direitos indígenas”.

Relatório – Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil

Dados 2019

Ditadura e Povos Indígenas

Esta mostra virtual de filmes organizada pelo Armazém Memória em 2013, reúne 15 filmes sobre graves violações de direitos humanos sofridas pelos povos indígenas do Brasil durante a ditadura de 1964-1985. Conforme apurou a Comissão Nacional da Verdade foram eles um dos segmentos mais atingidos pelo arbítrio, identificando em somente 10 povos de 305 existentes, mais de 8300 indígenas entre mortos e desaparecidos. A mostra traz fragmentos de uma violência que apesar das denúncias, continuam como um tabu e prática em nossa sociedade.

O Centro de Referência Virtual Indígena,  tem por meta contribuir para a construção de mecanismos de não-repetição da violência registrada contra os povos indígenas no Capítulo Indígena do Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade, publicado em 10 de dezembro de 2014, bem como estimular o cumprimento de suas recomendações.

Desde esta data, dia em que se comemora a Declaração Universal dos Direitos Humanos, não-repetição, verdade, justiça e reparação, base da justiça transicional, são oficialmente devidos pelos poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário) aos povos indígenas que existem no Brasil.

Convide seus parentes, amigos e amigas a assistirem esta mostra e contribua para a justiça de transição compartilhando o especial Genocídio Indígena em suas redes.

Marcelo Zelic

Índios, Memória de uma CPI (Hermano Penna 1968-1998) - Documentário

O filme conta a trajetória da Comissão Parlamentar de Inquérito, instalada em maio de 1968, para investigar a situação das tribos indígenas remanescentes no Brasil. Uma CPI que não foi concluída. Suas atividades foram interrompidas no período mais funesto da ditadura militar no Brasil, com a instalação do AI-5 e a cassação do mandato de vários parlamentares que compunham a Comissão.

Terceiro Milênio (Jorge Bodanzky e Wolf Gauer 1981) - Documentário

“Agosto de 1980. Evandro Carreira, senador, sai de seu diretório em Manaus para percorrer suas bases eleitorais pelo Estado do Amazonas, na região do Alto Solimões, fronteiriça ao Brasil, Peru e Colômbia. Depoimentos de caboclos, de madeireiros, do sertanista Paulo Lucena, de índios brasileiros e peruanos, de um representante da Funai são colhidos desde a cidade de Benjamin Constant até o vilarejo de Cavalo Cocho. Uma visita à aldeia indígena dos Ticunas e às terras do povo Maiuruna culmina com o depoimento e a ação de José Francisco da Cruz, representante da cruz da Santa Ordem Cruzada Apostólica Evangélica. No trajeto, revela-se a potencialidade econômica do Amazonas e seus desvios: a corrupção na política indigenista e a presença de fábricas poluidoras como a dos Irmãos Mansur. O cristianismo, o misticismo, a política e a magia, entrosados em um conjunto global, contribuem para comprovar a tese de Evandro Carreira de que o Amazonas despontará a civilização do século XXI.” (Resumo da cópia)

AmazôniAdentro - Episódio 1/4 (Edilson Martins 2011) - Série

O primeiro episódio de AmazôniAdentro Waimiri-Atroari mostra uma panorâmica sobre a Amazônia, com escalada de alguns episódios — a destruição da floresta, o avanço da pecuária, o ciclo da borracha, Chico Mendes, o projeto Jari, e a presença nazista, nos idos dos anos 30, no vale do rio Jari. Esse programa termina com a bem-sucedida luta pela sobrevivência dos índios Waimiri-Atroari, que vivem entre o Amazonas e Roraima. Essa nação resistiu por mais de 130 anos ao avanço dos brancos, até que a construção da estrada BR-174, junto com a hidrelétrica de Balbina e o exército brasileiro, quase dizimaram toda a sua população.

Mato Eles? (Sergio Bianchi 1983) - Documentário

De como os últimos índios da reserva de Mangueirinha, no sudeste do Paraná estão sendo suavemente exterminados com a convivência daqueles que os deveriam proteger. O filme estrutura sua narrativa como um teste de múltipla escolha. A resposta final é que Mangueirinha não tem problema índio, tem um problema branco.

Prêmios: – Melhor Diretor – Festival do Cinema Brasileiro de Gramado, RS, 1983. – Melhor Filme: Juri Oficial e Juri Popular – Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 1983. – Prêmio São Saruê – Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro de 1984.

Terra dos Índios (Zelito Vianna 1979) - Documentário

Documentário sobre as condições de existência de algumas tribos indígenas que ainda existem no Brasil: os Caingangue do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina; os Guarani do Paraná e Mato Grosso do Sul; os Cadiuéu, os Xavante, os Terena e os Cajabi do Mato Grosso do Sul. Um prólogo de Darcy Ribeiro coloca historicamente o confronto entre o índio e a civilização branca. Um índio Guarani, Marçal, analisa as condições de vida dos índios mato-grossenses-do-sul. Através de três episódios, a questão indígena é debatida

Marçal de Souza - Guarani (Nilson Barbosa 1985) - Documentário

Este fragmento do filme de Nilson Barbosa que dedicou seu trabalho “à memória dos líderes indígenas assassinados, nos últimos dez anos, na luta pela defesa de seu povo.” possui somente 10 minutos. Foi recuperado de uma fita de VHS no Atelier de Digitalização do Armazém Memória e buscamos uma cópia completa deste documentário, uma vez que segundo informações da produtora MAPA FIlmes o original se perdeu em um incêndio.

Conversas no Maranhão (Andrea Tonacci, 1983) - Documentário

Realizado entre os anos de 1977 e 1983, Conversas no Maranhão nasceu do contato do diretor e fotógrafo Andrea Tonacci com os índios Canela Apãniekra nos anos 1970. Mais do que um documentário, o filme se tornou um manifesto da tribo ao governo brasileiro, no momento em que suas terras eram demarcadas pela Funai.

O Sangue da Terra (Aurélio Michiles 1984) - Documentário

O sangue da terra trata da batalha jurídica travada pelo povo Sateré Mawé contra a petrolífera francesa Elf Aquitaine no Amazonas, entre 1982 e 1983. A obra evidencia o processo de silenciamento e subalternização dos indígenas e levanta uma questão primordial: a importância do vídeo nas lutas indígenas. O autor realizava outro documentário quando recebeu dos Sateré Mawé o pedido de documentar sua batalha contra a gigante estrangeira. Os indígenas compreendiam que, num mundo mediado por imagens e pela televisão, a luta mais eficaz é a midiática, aquela que usa a arma do branco.

Noel Nutels (Marco Altberg 1975) - Documentário

“O trabalho do sanitarista e indigenista Noel Nutels no combate às doenças levadas pelo branco aos índios brasileiros. A luta pela preservação da cultura indígena. Filmes da época mostram a expedição Roncador-Xingu, as primeiras demarcações feitas por Rondon em 1910 e as incursões do Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas, criadas por Noel em 1956, para atender aos índios e à população mais isolada.”(Embrafilme/Catálogo 1986)

Prêmios: Melhor Documentário – Jornada Brasileira de Curta-Metragem, 1976 Salvador-BA

Balbina, no País da Impunidade (Rogelio Casado 1989) - Documentário

Em toda a Amazônia estão previstas a criação de 150 hidrelétricas, das quais 60 delas na Amazônia brasileira. A hidrelétrica de Balbina, concebida e construída na ditadura militar (1964-1985) no rio Uatumã (Amazonas), passou a funcionar a partir de 1989, Um bilhão de dólares do dinheiro do contribuinte foi usado para destruir 240 mil hectares de floresta, afogar animais silvestres, alagar terras indígenas e provocar fome e doença entre os ribeirinhos da região. Em troca dessa catástrofe, apenas insignificantes 80 megawatts firmes para Manaus. Passados todos estes anos, o modelo energético brasileiro não sofreu nenhuma revisão em todos os governos após a redemocratização do Brasil. 

Xetá (Fernando Severo 2011) - Documentário

Durante o processo de colonização do noroeste do Paraná, nos anos 1940, o povo Xetá, que pouco contato tivera com o homem branco, foi praticamente dizimado. A quase extinção de sua cultura provocou um desastre ecológico irreversível na região.

Ditadura criou cadeias para índios com trabalhos forçados e torturas

Acusações de vadiagem, consumo de álcool e pederastia jogaram índios em prisões durante o regime militar; para pesquisadores, sociedade deve reconhecê-los como presos políticos

GRIN - Guarda Rural Indígena (Roney Freitas 2018) - Documentário

Um cineasta maxakali resgata memórias sobre a formação da Guarda Rural Indígena (Grin) durante a ditadura militar, com relatos das violências sofridas pelos seus parentes.

Co-direção: Isael Maxakali e Sueli Maxakali

Os Tenharim e a Comissao Nacional da Verdade (2013)

Produzido pelos povos Tenharin e Jiahul conta a história de violências sofridas por estes povos durante a construção da Rodovia Tranzamazônica – BR 230.

Índio Cidadão? (Rodrigo Siqueira 2013) - Documentário

PO filme apresenta resgate histórico audiovisual da participação do movimento indígena na Assembleia Nacional Constituinte (1987-88) e entrevistas com memórias dos coordenadores da União das Nações Indígenas – Ailton Krenak e Álvaro Tukano – e de lideranças que participaram ativante dessa mobilização como Davi Kopenawa, Mario Juruna, Moura Tukano, Paulo Paiakan, Pirakumã Yawalapiti e Raoni Metuktire. O momento marcante desse processo é a intervenção de Ailton Krenak no Plenário em defesa da emenda popular com a proposta de capítulo dos direitos dos Povos Indígenas.

Para Saber Mais

Coletânea de livros que abordam casos e elementos sobre o genocídio indígena no Brasil. Para ler os livros acesse a biblioteca.

Breve inventário de documentos com citações sobre massacres de povos indígenas no Armazém Memória.

Esta lista não esgota as ocorrências sobre massacres de indígenas nos documentos disponíveis no Armazém Memória. Ela reúne a documentação em ordem cronológica a medida em que as pesquisas em curso localizam um documento ou citação e portanto está em constante atualização.

    

 

Século XIX

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Século XXI

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Rede de Conteúdo

Instituições que compartilham conteúdos neste Centro de Referência.

Realização

Este trabalho é parte do contrato firmado pelo Instituto de Políticas Relacionais (IPR), com embaixada da Noruega e coordenação executiva do Armazém Memória, no âmbito do desenvolvimento do projeto “Ampliação do Centro de Referência Virtual Indígena”. 

Equipe

Instituto de Políticas Relacionais

Daniela Greeb

Vanessa

Silvana

Ruth Negrini 

Armazém Memória

Marcelo Zelic

Julio Zelic 

 

Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas (UnB) 

Elaine Moreira

Ana Catarina Zema

Embaixada da Noruega

Coletivo Indígena de Pesquisa

Braulina Aurora

Povo Baniwa

Debora Barros dos Santos

Povo Tupinikim

 

Iury da Costa Felipe

Povo Magutta - Tikuna

 

Juliana dos Santos Santana

Povo Tupinambá 

João Paulo Hakuwi Kuady Karajá

Povo Karajá (Iny Mahadu)

 

Suliete Gervásio Monteiro

Povo Baré

Parceiros

O projeto de ampliação do Centro de Referência Virtual Indígena do Armazém Memória conta também com a participação de instituições e entidades, através de termos de cooperação firmados para as três áreas de atuação dos trabalhos. 

Desenvolvido por Armazém Memória em WordPress. Contato: marcelozelic@gmail.com