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		<title>Mecanismos de não-repetição: um esforço de futuro sustentável.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Jul 2022 18:08:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[CRV INDÍGENA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A não-repetição de violações de direitos humanos pressupõe a criação de mecanismos que modifiquem procedimentos cristalizados na gestão e ação do Estado brasileiro. Estes procedimentos se constituem em prática lesiva ao direito indígena, ocorrendo tanto no poder Executivo, como no Legislativo e Judiciário que, quando não são protagonistas, dão sustentação fundamental à repetição de graves violações de direitos humanos contra os povos indígenas, como ocorre hoje e ao longo de todo o governo Bolsonaro, conforme denúncias de genocídio e crimes de lesa-humanidade em análise no Tribunal Penal Internacional.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“O relatório da Comissão de Investigação do Ministério do Interior de 1967, presidida pelo procurador Jader de Figueiredo Correia, constata a existência de problemas desse tipo em quase todo o território nacional e, no caso do esbulho ocorrido no sul do antigo estado do Mato Grosso, traz anexa lista de nomes de beneficiados com terras indígenas e suas vinculações com políticos, juízes, militares e funcionários públicos”.</span></i></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Comissão Nacional da Verdade (CNV) </i></b><i><span style="font-weight: 400;">Relatório final &#8211; Política Fundiária e esbulho de Terras Indígenas, 2014</span></i></p>
<p style="text-align: justify;"> <i><span style="font-weight: 400;">“Esta comissão não vai ficar do lado da FUNAI, do ministro, do presidente da República. Aqui vai ser a comissão-revolução. Aqui a gente vai garantir a vida do índio”.</span></i></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Deputado Mário Juruna</i></b><i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Discurso de posse da Comissão do Índio em setembro de 1983</span></i></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: right;"><b><i>por Marcelo Zelic </i></b><i>(1)</i></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A não-repetição de violações de direitos humanos pressupõe a criação de mecanismos que modifiquem procedimentos cristalizados na gestão e ação do Estado brasileiro. Estes procedimentos se constituem em prática lesiva ao direito indígena, ocorrendo tanto no poder Executivo, como no Legislativo e Judiciário que, quando não são protagonistas, dão sustentação fundamental à repetição de graves violações de direitos humanos contra os povos indígenas, como ocorre hoje e ao longo de todo o governo Bolsonaro, conforme denúncias de genocídio e crimes de lesa-humanidade em análise no Tribunal Penal Internacional.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Em seu relatório final publicado em 2014, no capítulo sobre violações de direitos humanos dos povos indígenas, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) destaca que </span><b><i>“são os planos governamentais que sistematicamente desencadeiam esbulho das terras indígenas” </i></b>(2) <span style="font-weight: 400;">, afirmação sustentada, por outras fontes, como pela documentação produzida por outra comissão de investigação, também criada pelo Estado brasileiro e conhecida por Relatório Figueiredo (3)</span><span style="font-weight: 400;">, que apontou em 1968, que o esbulho das terras indígenas era um problema em quase todo território nacional. Esbulho</span> <span style="font-weight: 400;">este que se repete hoje, em 2022, num conflito permanente com as comunidades indígenas em defesa de seus territórios, atingidos pela expansão e desenvolvimento de fronteiras agrícolas e da pecuária, ou pela extração mineral, ou de madeira, ou por frentes de colonização ilegal via invasão ou arrendamentos, ou ainda por grandes projetos do Estado. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">São 46 anos entre esses dois documentos produzidos pelo Estado brasileiro e</span><b> o problema do desrespeito ao direito constitucional indígena às suas terras e ao usufruto de seus </b><b>territórios, segue inalterado, atacando os povos em suas comunidades e aldeias, sem solução</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><b></b><span style="font-weight: 400;">A ausência de mecanismos de não-repetição desenvolvidos com base na justiça de transição, visando a mudança estrutural de conduta do Estado e a reparação da violência contínua sofrida pelos povos indígenas é parte desse problema, pois a não existência destes mecanismos de inibição de ações lesivas aos direitos indígenas por parte do Estado brasileiro, é fator de estímulo permanente ao conflito fundiário envolvendo povos indígenas no Brasil. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><b></b><span style="font-weight: 400;">Citando o caso concreto do sul do antigo estado do Mato Grosso e fundamentada na documentação probatória existente nos 30 tomos dos autos do processo que sustenta o Relatório Figueiredo, a CNV ressalta que </span><b><i>“os interesses econômicos de proprietários se faziam representar nas instâncias de poder local para pressionar o avanço da fronteira agrícola sobre áreas indígenas</i></b><b>”</b><span style="font-weight: 400;"> e chama a atenção para uma forma de agir enraizada na ação do Estado brasileiro, utilizada para promover o esbulho das terras indígenas, beneficiando diretamente ou tendo participação de políticos, juízes, militares e funcionários públicos envolvendo em articulações as instâncias de poder municipal, estadual, federal com o interesse privado nas terras indígenas.</span></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“Em 1958, deputados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovaram o Projeto de Lei n° 1.077, que tornava devolutas as terras dos índios Kadiwéu. Em 1961, </span></i><b><i>o Supremo Tribunal Federal decide pela inconstitucionalidade da lei, mas, a essa altura, estava estabelecida a invasão, uma vez que as terras já tinham sido loteadas</i></b><i><span style="font-weight: 400;"> (Ribeiro, 1962, pp. 108-112). Além das invasões propriamente ditas, </span></i><b><i>eram comuns arrendamentos de terras </i></b><i><span style="font-weight: 400;">que não obedeciam às condições do contrato – quando este havia – </span></i><b><i>ocupando enormes extensões de terras indígenas</i></b><i><span style="font-weight: 400;">; constituindo, em alguns casos, situação de acomodação das irregularidades (invasões praticadas e posteriormente legalizadas pelo SPI por meio de contratos de arrendamento)”. (4)</span></i></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Não é de hoje que no âmbito do legislativo, seja este federal ou estadual, </span><b>leis são criadas para promover direitos ilegais a terceiros, legitimando através de legislação o roubo, o esbulho e o usufruto ilegal de terras indígenas por não-indígenas ou empresas</b><span style="font-weight: 400;">. Mesmo sabendo ser inconstitucional, redigem essas leis, fazem sua tramitação legal e quando referendadas pelo Executivo, são contestadas no Judiciário. A contestação judicial é parte deste mecanismo de ocupação das terras indígenas, que possibilita uma pseudo “cara legal” ao crime praticado, estimulando a invasão do território indígena, estabelecendo posses, atividades de usos dos solos e de exploração de recursos naturais e minerais, onde o tempo de discussão judicial sobre sua constitucionalidade, quanto mais longo, mais consolida a ação ilegal em busca do fato consumado. A ocupação predatória das Terras Indígenas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">O Projeto de Lei (PL) 490/2007 é mais uma proposição deste tipo, que faz uso deste mecanismo de expropriação territorial indígena, a partir do Legislativo brasileiro e combinado com a violência local. </span><span style="font-weight: 400;">Ao determinar que são terras indígenas apenas aquelas que estavam ocupadas pelos povos tradicionais em 5 de outubro de 1988, aplica-se a cartilha para se criar o fato feito, ou fato consumado na linguagem jurídica. Esse mecanismo exitoso foi </span><span style="font-weight: 400;">utilizado pelo estado de Mato Grosso em 1958,  onde fez escola e tornou-se recorrente no país, pois entre a proposição da Lei </span><span style="font-weight: 400;">nº 1077 e a declaração judicial de sua inconstitucionalidade, correu tempo suficiente para que, em três anos, as terras fossem ocupadas, loteadas e os indígenas colocados fora delas. Até hoje, a posse e o usufruto destas áreas são reclamados pelos Kadiwéu, numa batalha jurídica e existencial que não tem fim, afetando a tranquilidade e o bem viver de gerações deste povo. O Estado tem o dever de reparar. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Enquanto tramita no Congresso Nacional a tese do marco temporal promove razão onde não há razão legal, atribuindo certezas jurídicas àqueles que estão na condição de invasores dos territórios indígenas. Gera violência jurídica e violência física nos territórios, num ciclo que se auto alimenta, contra aldeias e lideranças dos povos, que exigem respeito ao artigo 231, segundo o qual <i>&#8220;as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se à sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”</i>. A tese do marco temporal promove a ocupação de fato, a ferro e a fogo, como ocorre no Vale do Javari, onde o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips não é fato isolado, como não o são os assassinatos dos indígenas Guardiões da Floresta. </span><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Alguns indígenas e indigenistas assassinados retratados em campanha que circula em vídeo na internet. (5)</span></i></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">O projeto de lei do marco temporal, como é conhecido o PL 490/2007, repete uma forma de agir já conhecida, recorrente mecanismo de burla ao direito originário, como o foram também a Exposição de Motivos 062 de 16 de junho de 1980 (6)</span><span style="font-weight: 400;">, que junto ao Decreto nº 76.999/76 (7)</span><span style="font-weight: 400;">, serviram, por exemplo, de facilitador legal para a realização do esbulho de mais de 45 mil hectares na demarcação em ilhas de 10 terras indígenas dos povos Macuxi e Wapichana em Roraima e que até hoje, são motivo de violência local contra estas comunidades indígenas, que lutam pela revisão da demarcação fraudada pela legislação casuística criada durante a ditadura militar a serviço do roubo de terras indígenas da União e do desenvolvimento sem respeito (8).</span><span style="font-weight: 400;"> Existem 23 pedidos de revisão territorial parados na FUNAI realizados pelos povos Macuxi e Wapichana.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A Comissão Nacional da Verdade no relatório final reforça que </span><b>“</b><b><i>enquanto não houver a reparação por todas as terras indígenas esbulhadas durante o período de estudo da CNV </i></b><b>[1946-1988]</b><b><i>, não se pode considerar que se tenha completado a transição de um regime integracionista e persecutório para com os povos originários desta nação, para um regime plenamente democrático e pluriétnico</i></b><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><i><span style="font-weight: 400;">. (9) </span></i><span style="font-weight: 400;">O PL 490/2007 é uma legislação de promoção do esquecimento, da impunidade, da consagração do roubo de terras inalienáveis da União reconhecidas aos povos indígenas e da violência contra seus membros.</span></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Com faixas estendidas no canteiro central da Esplanada dos Ministérios, indígenas pedem justiça aos povos indígenas, contra o marco temporal &#8211; Scarlett Rocha / Apib</span></i><i><span style="font-weight: 400;"> (10)</span></i></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_8  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Interromper o uso abusivo do poder legislativo na produção de legislação leonina de estímulo à invasão e esbulho de terras indígenas, que sempre ocorre de forma violenta até chegar-se à condição de fato feito contra o direito dos povos estabelecido na Constituição, é um passo importante a ser dado para ser efetivada a transição “para um regime plenamente democrático e pluriétnico” como aponta a CNV.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A criação no âmbito do Congresso Nacional de uma </span><b><i>Comissão de Consulta aos Povos Indígenas</i></b><span style="font-weight: 400;">, com poder de veto, formada exclusivamente por representantes indígenas eleitos, para aplicação da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no processo legislativo, promovendo a escuta legislativa permanente às proposições que afetem a vida dos povos indígenas, seria um mecanismo de não-repetição.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Diferente de hoje, em que o Ministério Público Federal, corpo jurídico ligado aos povos indígenas, atua  junto à Justiça Federal após a aprovação legal da norma para questionar sua constitucionalidade, quando um parlamentar apresentar uma proposição envolvendo direito indígena, esta passaria pela Comissão de Constituição e Justiça e se aprovada, </span><b>seguiria para a avaliação de mérito na</b> <b><i>Comissão de Consulta aos Povos Indígenas</i></b><span style="font-weight: 400;">, que em tese poderá arquivar, propor alteração ou substituto ao parlamentar ou encaminhar, se aprovada a proposição, para sequência do trâmite legislativo. Cabendo recurso judicial ao parlamentar proponente em caso de discordância sobre a decisão, invertendo assim a lógica de funcionamento empregada hoje e fortalecendo a segurança jurídica constitucional dos direitos dos povos indígenas.</span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Dessa forma este mecanismo de não-repetição poderá promover uma mudança estrutural na atuação do Congresso Nacional, combatendo a ação legislativa lesiva ao direito indígena, coibindo em seu nascedouro proposições nocivas e alterando a dinâmica do ato de legislar, fazendo com que as proposições deixem de cumprir enquanto tramitam ou se discute judicialmente sua constitucionalidade, o papel que vêm desempenhando ao longo da história, de fator indutor de desinformação local e estímulo à violência, invasão e insegurança jurídica aos direitos indígenas já consagrados em todas as constituições desde 1934 e em vigor até nossos dias através dos artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988.</span></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_image et_pb_image_2">
				
				
				
				
				<span class="et_pb_image_wrap "><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="918" height="334" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-3-Juruna-Comissao-do-Indio.jpg?resize=918%2C334&#038;ssl=1" alt="" title="foto 3 - Juruna - Comissão do Índio" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-3-Juruna-Comissao-do-Indio.jpg?w=918&ssl=1 918w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-3-Juruna-Comissao-do-Indio.jpg?resize=300%2C109&ssl=1 300w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-3-Juruna-Comissao-do-Indio.jpg?resize=768%2C279&ssl=1 768w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-3-Juruna-Comissao-do-Indio.jpg?resize=480%2C175&ssl=1 480w" sizes="auto, (max-width: 918px) 100vw, 918px" class="wp-image-19713" /></span>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Jornal de Brasília 15/09/1983, acervo da Comissão Permanente do Índio (11)</span></i></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_10  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">É preciso lembrar que com a eleição de Mário Juruna para Deputado Federal em 1982, primeiro indígena a assumir uma cadeira no Congresso Nacional, foi instituída na Câmara dos Deputados a primeira e única Comissão do Índio da história do Congresso Nacional, voltada para o acompanhamento exclusivo das questões afeitas aos povos indígenas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Tinha como missão, conforme a Resolução nº 15 de 1983:  </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">opinar sobre assistência ao índio, organismos relacionados com interesses indígenas e relações do índio com a sociedade. Compete-lhe, ainda, em caráter permanente e em colaboração com as demais Comissões da Câmara dos Deputados, quando for o caso: a) receber e investigar denúncias sobre assunto de interesse do índio; b) propor medidas legislativas de defesa do índio e da ecologia das reservas indígenas; c) investigar o cumprimento da legislação de defesa do índio”. (12)</span></i></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span><span style="font-weight: 400;">Apesar de seu caráter permanente e até hoje não constar revogação expressa pela Câmara dos Deputados, a revolução proposta por Juruna foi neutralizada pelo parlamento, deixou de existir. Com a derrota do Deputado Juruna nas eleições de 1986, a Comissão do Índio foi diluída de suas funções por seus integrantes remanescentes não-indígenas, alguns como o ex-deputado Mozarildo Cavalcanti sempre ligado às teses anti-indígenas e a favor do agronegócio em toda sua vida parlamentar por décadas no Congresso Nacional. Os problemas indígenas passaram a ser tratados em comissões de minorias e direitos humanos, perdendo toda a força inicial e o destaque que deu aos problemas indígenas no poder legislativo e no país. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span><span style="font-weight: 400;">O mecanismo de não-repetição proposto acima para criação de uma </span><b><i>Comissão de Consulta aos Povos Indígenas</i></b><span style="font-weight: 400;"> leva em conta a experiência da Comissão do Índio, que demonstra que esse novo organismo, para efeito de reparação das graves violações de direitos humanos contra os povos indígenas e de efetividade em coibir a insegurança jurídica produzida pelo Congresso Nacional contra os direitos destes povos, deve ser composto exclusivamente por indígenas e se constituir como um órgão independente, regulador de proposições envolvendo os povos indígenas, com poder de veto e de caráter permanente no Congresso Nacional e com recursos próprios destinados do orçamento da União.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span><span style="font-weight: 400;">Fartamente citado no Relatório Figueiredo o atual estado do Mato Grosso do Sul, é uma das unidades da federação onde se explicita a urgência da criação por parte do Estado brasileiro de mecanismos de não-repetição, para que seja interrompido o genocídio do povo Guarani-Kaiowá. O resultado de décadas de funcionamento desta engrenagem de esbulho de terras indígenas, somada à lenta ação do judiciário, faz deste povo um dos mais vulneráveis entre os estados não amazônicos e também de grande resiliência na defesa de seus territórios ocupados e devastados pelo agronegócio de forma inconstitucional e violenta.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Vitor Fernandes Guarani-kaiowá, assassinado na luta pela retomada do Tekoha </span><span style="font-weight: 400;">de Guapo’y, em Amambai (MS)</span><span style="font-weight: 400;"> é mais uma vítima, que se soma a outros 374 indígenas Guarani-Kaiowá assassinados desde o início dos anos 1990, com registro apontado na Cartografia de Ataques Contra Indígena (CACI), organizada pelo Conselho Indigenista Missionário</span><span style="font-weight: 400;">. (13) O massacre de Guapo’y é mais um episódio ilegal e violento contra o povo de Marçal Tupã-Y também assassinado pela luta por demarcação e reconhecimento dos territórios de seu povo em 1983.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span><span style="font-weight: 400;">As graves violações de direitos humanos vividas pelas comunidades Guarani-Kaiowá, trazem a necessidade de adoção de outro mecanismo de não-repetição a ser aplicado pelo Estado brasileiro, afeito este à esfera do poder Judiciário brasileiro, tanto a título de reparação pela conduta lesiva de seus membros na demora em julgar os processos em curso de disputas territoriais envolvendo povos indígenas, como os tardiamente julgados no passado. Tem como objetivo garantir a efetivação dos direitos indígenas estabelecidos na Constituição e defender a segurança jurídica destes direitos aos povos originários e seus territórios.</span></p></div>
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				<span class="et_pb_image_wrap "><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="1050" height="591" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-4-Enterro-Vitor-Guarani-Kaiowa-em-Guapoy-Amambai-MS.jpeg?resize=1050%2C591&#038;ssl=1" alt="" title="foto 4 - Enterro Vitor Guarani-Kaiowa em Guapoy-Amambai-MS" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-4-Enterro-Vitor-Guarani-Kaiowa-em-Guapoy-Amambai-MS.jpeg?w=1050&ssl=1 1050w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-4-Enterro-Vitor-Guarani-Kaiowa-em-Guapoy-Amambai-MS.jpeg?resize=300%2C169&ssl=1 300w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-4-Enterro-Vitor-Guarani-Kaiowa-em-Guapoy-Amambai-MS.jpeg?resize=1024%2C576&ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-4-Enterro-Vitor-Guarani-Kaiowa-em-Guapoy-Amambai-MS.jpeg?resize=768%2C432&ssl=1 768w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-4-Enterro-Vitor-Guarani-Kaiowa-em-Guapoy-Amambai-MS.jpeg?resize=980%2C552&ssl=1 980w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-4-Enterro-Vitor-Guarani-Kaiowa-em-Guapoy-Amambai-MS.jpeg?resize=480%2C270&ssl=1 480w" sizes="auto, (max-width: 1050px) 100vw, 1050px" class="wp-image-19714" /></span>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><em><span style="font-weight: 400;">Sepultamento do indígena Vitor Fernandes virou um símbolo de luta pelo Tekoha (Foto: Povos Guarani Kaiowá)</span></em></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_12  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A demora na tramitação de processos judiciais envolvendo disputas territoriais com indígenas, além de favorecer o mecanismo de esbulho realizado pelo legislativo, descrito acima,  também colabora para a violência e a produção do fato feito, para a retirada de direitos indígenas. A demora do judiciário brasileiro em julgar, acarreta desmatamento da área, a poluição e a contaminação de rios, como ocorre com a presença de garimpos ilegais em terras indígenas, a consolidação de invasões, com o estabelecimento de cercas, plantações, criação de animais, construção de estruturas, chegando em alguns casos a vilas, bairros e cidades, além claro, da disseminação de doenças, como a contaminação por mercúrio e a desestruturação cultural, violência física e psicológica vividas de forma intensa e permanente pelas comunidades indígenas de norte a sul do Brasil.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Caso exemplar é o julgamento depois de 53 anos de tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) da Ação Cível Originária nº 79 (ACO 79) envolvendo uma área de 40 mil km², cedidas pelo estado de Mato Grosso a 20 empresas colonizadoras. Conforme notícia publicada pelo STF, a decisão, passados tantos anos, teve como resultado o reconhecimento da ilegalidade e a imposição do esbulho das terras da União pelo fato consumado. </span></p></div>
			</div>
			</div>
				
				
				
				
			</div><div class="et_pb_row et_pb_row_5">
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><b><i>“Situação de fato</i></b></p>
<p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">Na decisão de hoje, prevaleceu o voto do relator, ministro Cezar Peluso. </span></i><b><i>Embora ele concluísse pela inconstitucionalidade da alienação das terras, pela via de concessão de domínio, sem prévia autorização legislativa, ele ponderou que a situação de fato da área se tornou irreversível.</i></b><i><span style="font-weight: 400;"> Observou que, hoje, ela é ocupada por cidades, casas, estradas, propriedades rurais, indústrias, estabelecimentos comerciais e de serviços, abrigando dezenas de milhares de pessoas. Por isso, propôs a convalidação da operação, invocando o princípio da segurança jurídica, até mesmo porque as terras foram repassadas pelo estado a colonos, na presunção da boa-fé”.</span></i> <span style="font-weight: 400;">[grifo nosso] (14)</span></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A decisão do STF deixou claro que a legalidade da alienação realizada pelo estado de Mato Grosso, não implica a legalização da posse de terras localizadas em áreas indígenas, pois essas são de propriedade da União, nem em área de preservação ambiental. Disse o Ministro César Peluso durante o debate sobre a questão levantada pela Ministra Rosa Weber:</span></p></div>
			</div>
			</div>
				
				
				
				
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><b><i>Eu estou apenas declarando a validez dos contratos de concessão como tais, perante a norma constitucional invocada, não perante outros vícios, como por exemplo, que alguns tenham recaído sobre terra indígena</i></b><i><span style="font-weight: 400;">. Isso pode ser objeto da sua ação. É na sua ação que se verá se, além da ofensa à Constituição Federal, também houve ofensa a direito de indígenas. Por isso ressalvei que a solução desta causa não vai interferir na resposta jurídica que seja dada a essas outras ações”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> [grifo nosso] (15)</span></p></div>
			</div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Quais são as áreas indígenas incidentes dentro deste perímetro de quase duas vezes o Estado de Sergipe, onde foram edificadas cidades, acessões e benfeitorias de toda ordem? Alguma área já foi devolvida aos povos indígenas que as habitavam? Como se deu essa ocupação nos anos 1950 em plena Marcha para Oeste, momento histórico em que se deu a alienação das terras julgadas pelo STF 53 anos depois? </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Em discurso proferido em 08/08/1940 em Goiânia, na sessão de fundação da “Cruzada Rumo ao Oeste”, o então ditador do Estado Novo Getúlio Vargas dá o aval à violência vivida pelos povos indígenas no Centro-Oeste brasileiro nessa quadra de nossa história. Destacamos do documento a “carta branca” dado pelo Estado brasileiro para a repetição da violência dos séculos anteriores </span><i><span style="font-weight: 400;">“sob todos os aspectos e com todos os métodos”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Conduta lesiva que vem a se repetir até o governo Bolsonaro, impondo à cidadania e aos direitos humanos a urgência da criação de mecanismos de não-repetição. Disse Getúlio Vargas:</span></p></div>
			</div>
			</div>
				
				
				
				
			</div><div class="et_pb_row et_pb_row_9">
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“Desse modo, o programa de Rumo ao Oeste é o reatamento da campanha dos construtores da nacionalidade, dos bandeirantes e dos sertanistas, com a integração dos modernos processos de cultura.</span></i></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Precisamos promover esta arrancada, sob todos os aspectos e com todos os métodos</i></b><i><span style="font-weight: 400;">, a fim de sanar os vácuos demográficos do nosso território e fazer com que as fronteiras econômicas coincidam com as fronteiras políticas.</span></i></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"><b><i>Este é o nosso imperialismo</i></b><i>: &#8211; Não ambicionamos um palmo de território que não seja nosso, mas temos um expansionismo que é o de crescer dentro das nossas próprias fronteiras.” </i>[grifo nosso] (16)</span></p></div>
			</div>
			</div>
				
				
				
				
			</div><div class="et_pb_row et_pb_row_10">
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				<div class="et_pb_text_inner"><table border="1" style="border-collapse: collapse; width: 100%;">
<tbody>
<tr>
<td style="width: 50%;"><span style="font-weight: 400;"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-5-Discurso-getulio-Vargas.jpg?resize=296%2C431&#038;ssl=1" width="296" height="431" alt="" class="wp-image-19715 aligncenter size-medium" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-5-Discurso-getulio-Vargas.jpg?resize=206%2C300&amp;ssl=1 206w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-5-Discurso-getulio-Vargas.jpg?w=442&amp;ssl=1 442w" sizes="auto, (max-width: 296px) 100vw, 296px" /></span></td>
<td style="width: 50%;"><span style="font-weight: 400;">Nesse discurso estão contidos os conceitos basilares da violência contra os povos indígenas, que se repetem na ação do Estado brasileiro a cada nova geração que assume os cargos de mando em nosso país. Nas palavras de Getúlio Vargas </span><i style="text-align: justify;"><span>“é um roteiro da nossa civilização</span></i><span style="font-weight: 400;">”. “Todos falam a mesma língua”. Mentira, temos hoje mais de 277 línguas faladas no país. “Todos têm a mesma tradição histórica”. Mentira, o Brasil é um país pluriétnico e com uma diversidade cultural enorme, com 305 povos indígenas distintos em seus saberes, tradições, formas de viver e compreensão diversa da função e uso da terra, além das diversidades regionais de quilombolas, ribeirinhos e camponeses. O vácuo demográfico, pilar da Marcha para o Oeste, perdura até nossos dias, na negação da existência indígena, numa repetição da violência e dos objetivos desenvolvimentistas impostos sem respeito, calcados na ideia de vazio demográfico, na monocultura e no modelo econômico excludente.</span></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;"><span>O Judiciário brasileiro tem o dever de reparar os povos indígenas, mediante a aplicação em todas as suas instâncias de um mecanismo de não-repetição, </span><b>que institua a tramitação prioritária para processos no Judiciário brasileiro que atentam contra os artigos 231 e 232 da Constituição</b><span> e a criação, pela ENFAM, de um curso de revigoração constitucional sobre os direitos dos povos indígenas, como requisito para atuação no judiciário, obrigatório a todos juízes e juízas que julgarão tais processos.</span><br /><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A protelação por parte do STF do julgamento de repercussão geral sobre a ilegalidade do marco temporal, repete a história de violência do judiciário brasileiro contra os direitos indígenas e fortalece a tramitação do PL 490/2007, ativando o mecanismo de esbulho legislativo e alimentando um ciclo de violência nas aldeias e comunidades. Enquanto não criarmos mecanismos de não-repetição, que promovam a mudança destas condutas por parte de ocupantes de cargos nos poderes do Estado brasileiro, assassinatos brutais como os de Vítor Fernandes Guarani-Kaiowá, Bruno Pereira e Dom Phillips seguirão ocorrendo no Brasil e os povos atingidos pela violência do Estado seguirão em luta por seus territórios sagrados, reconstruindo seus espaços de viver, nos locais que lhes pertencem por direito originário, em meio a dor e traumas como o fazem os Guarani-Kaiowá no Tekoha Guapo&#8217;y Miri Tujury, a um custo altíssimo para toda comunidade indígena.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_image et_pb_image_4">
				
				
				
				
				<span class="et_pb_image_wrap "><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="370" height="614" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-6-Retomada-do-Tekoha-Gwapoy.jpg?resize=370%2C614&#038;ssl=1" alt="" title="foto 6 - Retomada do Tekoha Gwapo&#039;y" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-6-Retomada-do-Tekoha-Gwapoy.jpg?w=370&ssl=1 370w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-6-Retomada-do-Tekoha-Gwapoy.jpg?resize=181%2C300&ssl=1 181w" sizes="auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px" class="wp-image-19704" /></span>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_19 et_clickable  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Tekoha Guapo&#8217;y Miri Tujury sendo reconstruído outra vez. (foto:Gestão Territorial Kaiowá)</span></i></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_20  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A violência contra os povos indígenas no governo Bolsonaro ganha contornos de barbárie. Repete, mediante a não aceitação de uma vida social com diversidade e respeito, um período recente de nossa história, a ditadura militar de 1964 a 1985, marcado por violência e remoções forçadas, </span><b>onde parte pequena das graves violações de direitos humanos contra os povos indígenas está registrada no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que apontou que a demarcação das terras indígenas é em si um mecanismo de não-repetição.</b><span style="font-weight: 400;"> Demonstrou em seu relatório que a ausência dessa demarcação e de uma ação efetiva de proteção por parte do Estado brasileiro destas terras da União inalienáveis e de usufruto integral indígena, é a raiz da repetição da violência vivida pelos povos indígenas no Brasil.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Desde 2015, a partir do golpe parlamentar que promoveu o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, as demarcações de Terras Indígenas só ocorreram por decisão judicial. O presidente Bolsonaro em fevereiro de 2022 declarou: </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;no meu governo, não foi demarcada nenhuma terra indígena. No meu governo, nenhuma terra indígena foi demarcada. Já temos 14% do Brasil demarcado&#8221;.</span></i><span style="font-weight: 400;"> (17) O</span><span style="font-weight: 400;"> que significa que em três anos e meio de governo, com o Executivo desrespeitando a Constituição sobre o dever do Estado em reconhecer e demarcar as terras indígenas, nenhuma ação judicial foi julgada para coibir esse desmando presidencial, fazendo por força da lei o presidente cumprir a Constituição, deixando o direito indígena no limbo, no que diz respeito ao usufruto permanente de seus territórios conforme determina os artigos 231 e 232.</span></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_image et_pb_image_5">
				
				
				
				
				<span class="et_pb_image_wrap "><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="624" height="509" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-7-demarcacoes-por-presidente.jpg?resize=624%2C509&#038;ssl=1" alt="" title="foto 7 - demarcações por presidente" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-7-demarcacoes-por-presidente.jpg?w=624&ssl=1 624w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-7-demarcacoes-por-presidente.jpg?resize=300%2C245&ssl=1 300w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-7-demarcacoes-por-presidente.jpg?resize=480%2C392&ssl=1 480w" sizes="auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px" class="wp-image-19705" /></span>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_21 et_clickable  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Publicado em O Globo.</span></i></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_22  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Em 1973, no governo do ditador Emílio Garrastazu Médici, o Estado brasileiro decretou através do Estatuto do Índio, lei nº 6001 de 19/12/1973, que “</span><b><i>o Poder Executivo fará, no prazo de cinco anos, a demarcação das terras indígenas</i></b><i><span style="font-weight: 400;">, ainda não demarcadas”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O Ministro do Interior Mário Andreazza, conforme publicado no jornal O Estado de São Paulo em 11/09/1980,  “</span><i><span style="font-weight: 400;">reconheceu que a questão da demarcação das áreas indígenas é, na realidade, muito mais complexo do que lhe pareceu no início do governo, quando chegou a prometer a demarcação de todas as reservas em curto tempo”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> (18) Esta declaração foi dada durante a demarcação em ilhas das terras Macuxi e Wapichana em Roraima, onde leis casuísticas foram criadas, o presidente da FUNAI “exonerado” e seu sucessor anulou as demarcações realizadas por ele, para acomodar as reivindicações dos invasores das terras indígenas de Roraima, lesando até hoje a Constituição e o direito desses povos.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Em 1988 foi a vez do parlamento aprovar na Constituinte promulgada, o prazo de 5 anos para a demarcação de todas as terras indígenas. Já se vão 34 anos deste segundo prazo definido pelo Estado brasileiro e como reafirmou a CNV a não demarcação das terras indígenas é a raiz e o fator de estímulo das graves violações que se repetem contra os povos indígenas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Toda vez que uma autoridade anuncia que um procedimento a tomar é complexo, o resultado é a protelação da efetivação do direito indígena, como o fez 41 anos depois o Ministro do STF Luis Roberto Barroso negando providência imediata à desintrusão de garimpeiros das terras Yanomami e mais seis outras terras indígenas demarcadas, solicitada na ADPF 709 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), promovendo assim a invasão.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_image et_pb_image_6">
				
				
				
				
				<span class="et_pb_image_wrap "><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="700" height="467" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-8-invasao-de-terra.jpg?resize=700%2C467&#038;ssl=1" alt="" title="foto 8 - invasão de terra" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-8-invasao-de-terra.jpg?w=700&ssl=1 700w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-8-invasao-de-terra.jpg?resize=300%2C200&ssl=1 300w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-8-invasao-de-terra.jpg?resize=480%2C320&ssl=1 480w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" class="wp-image-19706" /></span>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_23 et_clickable  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Terra Indígena Piripikura sofre invasão de grileiros, madeireiros e criadores de gado|Rogério Assis/ISA (19)</span></i></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_24  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Sem prazos definidos </span><b>para cada etapa do rito de demarcação</b> <b>e definição de procedimento claro sobre o momento do início deste processo, como sendo o pedido protocolado pelo povo indígena junto ao órgão indigenista</b><span style="font-weight: 400;">, o Estado brasileiro seguirá negando e protelando as demarcações das terras reclamadas pelos povos indígenas, usando o direito indígena como moeda de troca política com o Congresso Nacional e segmentos da sociedade. Desta forma não será quebrado esse ciclo de violência. Sem prazos definidos a demarcação de terras indígenas não se transformará em um eficaz mecanismo de não-repetição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A invasão garimpeira sofrida pelo povo Yanomami é mais uma faceta de um crime contra os direitos indígenas, que se repete estimulado pelo governo Bolsonaro. Uma terra demarcada, que passou por um longo processo judicial e teve decisão favorável aos povos originários que a habitam, têm suas comunidades ameaçadas, atacadas a bala em suas aldeias, os rios contaminados com mercúrio e seu ambiente ecológico destruído. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Conforme relatório da CNV, em 1993 o ex-Ministro da Justiça Jarbas Passarinho reconheceu o genocídio praticado contra os Yanomami e apesar do Brasil ser condenado em 1980 no Tribunal Russell, ocorrido em Roterdã, por suas ações e omissões na invasão garimpeira das terras Yanomami, o reconhecimento tardio, sem consequência efetiva ou reparação por parte das autoridades e a impunidade que prevalece no país, são peças chaves para compreendermos o processo de repetição de violência que vive este povo e os indígenas isolados que habitam a Terra Índígena Raposa Serra do Sol.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_25  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“Logo que o Projeto Radam evidenciou a presença de ouro no subsolo, e a Perimetral Norte levou o acesso até a terra milenarmente ocupada pelos Yanomami, que aconteceu? A morte de mais de 50% da tribo de Catrimani, causada por gripe e doenças, que não são mortais para nós, mas o são para índios não-aculturados. Não foi só nessa tribo, mas em várias outras, onde que se deu a presença dos garimpeiros. Eles poluíram os rios com mercúrio, afastaram a caça pelo barulho, provocaram a fome e a desnutrição dos índios, enquanto contra nós avolumava-se a acusação de que praticávamos o genocídio. Não era exagerada a denúncia. (PASSARINHO, 1993, pp. 15-17)” </span></i><span style="font-weight: 400;">(20)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_26  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A negligência do Estado brasileiro para fragilizar as comunidades indígenas, mediante a omissão frente às doenças e ações preventivas a serem tomadas é uma constante, podendo ser considerada como um forte elemento que incide e fortalece o mecanismo de esbulho de terras indígenas executado pelo Estado brasileiro. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A Comissão Nacional da Verdade aponta que além dos fatos narrados por Jarbas Passarinho ocorridos em 1975, a repetição dessa conduta genocida ocorreu também em 1987, durante a gestão do presidente da FUNAI Romero Jucá, levando a CNV a recomendar ao Estado brasileiro o “</span><i><span style="font-weight: 400;">fortalecimento das políticas públicas de atenção à saúde dos povos indígenas, no âmbito do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena do Sistema Único de Saúde (Sasi-SUS), enquanto um mecanismo de reparação coletiva”</span></i><span style="font-weight: 400;">. (21)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_27  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“Em 1975, uma campanha de vacinação de três semanas é reduzida a dois dias e meio. A Divisão de Saúde da Funai é acusada de se negar a vacinar os índios da região de Surucucus. Ao todo, apenas 230 índios da área da Perimetral e da missão Mucajaí foram vacinados. A história se repete 12 anos mais tarde. Em 1987, em plena epidemia de malária e gripe, trazida pela invasão de garimpeiros, o então presidente da Funai, Romero Jucá, alegando razões de segurança nacional, retira as equipes de saúde da área Yanomami”. </span></i><span style="font-weight: 400;">(22)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_28  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Com a chegada da COVID 19 no Brasil, o Estado brasileiro, sob comando do governo Bolsonaro, vê mais uma oportunidade para “passar a boiada”, como explicitou em reunião ministerial Ricardo Salles, então Ministro do Meio Ambiente e acionar o elemento de negligência com a saúde indígena para favorecer a invasão de seus territórios. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Ao poder Executivo responsável pela condução da política indigenista em nosso país é fundamental, como nos exemplos apresentados acima voltados aos demais poderes, a mudança de conduta mediante mecanismos de não-repetição para superarmos as graves violações de direitos humanos promovidas pelo governo Bolsonaro. Com o agronegócio e políticos ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária pressionando pelo preenchimento de cargos de comando da FUNAI, de suas regionais e departamentos, com pessoas alinhadas contra o direito indígena, repete-se mais uma vez condutas infames praticadas durante a ditadura militar, já apontadas como genocidas em 1975 e 1980, onde o Brasil foi condenado nas sessões do Tribunal Russell. </span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A distribuição massiva de hidroxicloroquina para “prevenção da COVID 19” nas aldeias, remédio totalmente ineficaz contra o vírus, somado à ausência de campanha de esclarecimento sobre a doença por parte do Estado, para combater a desinformação anti-vacina promovida por igrejas em terras indígenas, foram condutas adotadas pelo Governo Bolsonaro, que evidencia a repetição das graves violações de direitos humanos apontadas no relatório final da Comissão Nacional da Verdade por parte do Estado brasileiro.</span></p>
<table border="1" style="border-collapse: collapse; width: 100%; height: 10px;">
<tbody>
<tr style="height: 10px;">
<td style="width: 50%; height: 10px;"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-9-APIB-TPI.jpg?resize=402%2C399&#038;ssl=1" width="402" height="399" alt="" class="wp-image-19707 aligncenter size-medium" /></td>
<td style="width: 50%; height: 10px;">
<p><span style="font-weight: 400;">Junto com os problemas vividos pelos povos indígenas durante a pandemia, o desmonte dos órgão de controle sob o garimpo ilegal nas terras Yanomami, essa postura estimulou a invasão do território e o aumento de ações ilegais durante a pandemia por todo o país e fazem parte da denúncia sobre o genocídio promovido pelo Estado brasileiro contra os povos indígenas do Brasil em análise  pelo Tribunal Penal Internacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conduta da FUNAI neste período, aponta a necessidade e urgência de outro mecanismo de não-repetição, para que o Executivo brasileiro cumpra seu papel constitucional e sua missão institucional através do órgão indigenista, para quebrar o ciclo de repetição em que sua direção, nomeada pelo Executivo brasileiro de turno, deixe de atuar contra a vida e os direitos indígenas. </span><b>A gestão do órgão indigenista do Estado brasileiro deve, a título de reparação, ser exercida totalmente por representantes dos povos indígenas, ocupando todos seus postos de comando.</b></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>&nbsp;</p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_29  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Apresentamos abaixo uma lista de mecanismos de não-repetição, para reflexão e debate em sociedade, que poderiam ser implementados, normatizando formas de agir do Estado brasileiro e de seus poderes, bem como as condutas das pessoas que nos vários níveis da gestão pública ocupam cargos, funções, que em tese deveriam garantir os direitos constitucionais dos povos indígenas. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Servem também para educar a sociedade ao respeito e à promoção da condição pluriétnica existente em nosso país. A implementação destes mecanismos de não-repetição têm o caráter de reparação às graves violações de direitos humanos sofridas pelos povos indígenas ao longo de nossa história, para que nunca mais se repita. </span></p>
<p style="text-align: justify;">
<ol style="text-align: justify;">
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Demarcação das Terras Indígenas e estabelecimento de prazo legal para duração dos processos de identificação e demarcação, determinando prazos para cada etapa que o constituem, tendo como marco inicial a solicitação de estudo ou reestudo realizada sobre terras reclamadas pelos povos indígenas e o final a homologação com registro em cartório; (Executivo)</span></li>
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Monitoramento via satélite realizado pelo INPE em tempo real das invasões e desmatamento de terras indígenas, com formação de quadro técnico indígena para operação do sistema e criação de um setor de repressão a estes crimes na Polícia Federal; (Executivo)</span></li>
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Criação de um fundo de reparação oriundo da taxação do imposto pago pelos setores do agronegócio e da mineração destinado à implementação da Política de Desintrusão, Reparação Ambiental e Reflorestamento de Terras Indígenas; (Executivo e Legislativo)</span></li>
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Tramitação prioritária para processos no Judiciário brasileiro que atentem contra os artigos 231 e 232 da Constituição e criação, pela ENFAM, de um curso de revigoramento ou atualização constitucional sobre os direitos dos povos indígenas, como requisito para atuação no judiciário, obrigatório a todos juízes e juízas que julgarão tais processos; (Judiciário)</span></li>
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Proibição por Decreto de interrupção judicial da fase de estudos de identificação e delimitação de terra indígena, cuja etapa deve ocorrer independente de contestações judiciais de partes envolvidas, garantindo o direito indígena de realizar processos de regularização de terras indígenas não demarcadas, sendo tais estudos fonte de reunião de documentos e provas para uso também no judiciário em caso de contestação. As suspensões de estudos de identificação e delimitação são, portanto, grave atentado aos direitos indígenas tanto no que diz respeito aos artigos 231 e 232 da Constituição, quanto ao direito ao acesso pleno à justiça e ao judiciário brasileiro; (Executivo e Legislativo)</span></li>
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Criação no âmbito do Congresso Nacional da Comissão de Consulta aos Povos Indígenas, com poder de veto, formada exclusivamente por representantes indígenas eleitos, para aplicação da Convenção 169 da OIT no processo legislativo, promovendo a escuta legislativa permanente das proposições que afetem a vida dos povos indígenas; (Legislativo)</span></li>
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Criação de mecanismo de consulta direta plebiscitária a membros de comunidades ou povos atingidos por proposições legislativas ou grandes projetos que incidam em seus territórios, mediante a utilização de urnas eletrônicas a cada vez que se faça necessário realizar uma consulta; (Executivo e Judiciário)</span></li>
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Criação no Congresso Nacional nos sites da Câmara dos Deputados (sessão Assunto) e Senado Federal (sessão similar) de uma página agregadora com o tópico Povos Indígenas junto aos demais temas já existentes, para visibilizar o tema e promover o acompanhamento de proposições, audiências e discussões no Congresso Nacional aos indígenas e à população em geral; (Legislativo)</span></li>
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Produção de nova versão oficial do mapa do Brasil publicado pelo IBGE com Estados, Municípios, Terras Indígenas, Quilombos e Unidades de Conservação unificados em um único mapa para promoção de educação inclusiva e respeito aos direitos territoriais dos povos indígenas e quilombolas, bem como ao meio ambiente, proporcionando uma leitura geográfica pedagógica e reparadora. Este mapa deverá ser adotado nas redes de ensino do país em todos os níveis; substituindo o mapa atual de Estados e municípios que desconsideram a existência dessas partes importantes do nosso país; (Executivo)</span></li>
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Criação de um novo modelo de gestão da política indigenista com direção indígena e mecanismos de consulta aos povos indígenas para referendar nomes indicados para mandato nas instâncias de direção em todos os níveis; (Executivo)</span></li>
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Criação de curso permanente e obrigatório sobre Povos Indígenas e seus direitos destinado a servidores públicos da FUNAI e Departamento de Polícia Federal que atuam em suas funções ou em ações que envolvam povos indígenas.(Executivo)</span></li>
<li style="font-weight: 400; text-align: justify;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Criação de uma política pública de mapeamento, digitalização, disponibilização na internet com acesso livre e universal da documentação sobre povos indígenas contidas em Museus e Arquivos Públicos, em âmbito municipal, estadual e federal, que será reunido pelo Arquivo Nacional, promovendo com o acesso à memória histórica a efetivação da Lei 11.465/2008, que cria a obrigatoriedade do ensino da história e da cultura dos povos indígenas nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio do país. (Executivo)</span></li>
</ol>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A brutalidade que sofrem no Brasil os povos indígenas, atinge toda a cidadania, afeta a cada brasileira e brasileiro, pois viola a vida democrática em sociedade, os fundamentos dos direitos humanos e a Constituição. A cada violência impune e não reparada, as instituições do país encolhem em seus deveres e funções, para promover interesses de um segmento social em detrimento dos direitos da maioria da população e das comunidades indígenas espalhadas por todo o país, favorecendo um ambiente social com mais brutalidade, adotado como forma de imposição do modelo de desenvolvimento e política econômica aplicados hoje no país. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A brutalidade sangra não só o Brasil Indígena, nos atinge a todos e todas. Quebrar o ciclo da repetição da violência do Estado contra os povos indígenas e seus direitos constitucionais, seus territórios, culturas, organizações sociais e representativas, é hoje tarefa das mais importantes, sem a qual não existe o estado democrático de direito, tampouco futuro sustentável.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_image et_pb_image_7">
				
				
				
				
				<span class="et_pb_image_wrap "><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="700" height="467" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-8-invasao-de-terra.jpg?resize=700%2C467&#038;ssl=1" alt="" title="foto 8 - invasão de terra" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-8-invasao-de-terra.jpg?w=700&ssl=1 700w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-8-invasao-de-terra.jpg?resize=300%2C200&ssl=1 300w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2023/01/foto-8-invasao-de-terra.jpg?resize=480%2C320&ssl=1 480w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" class="wp-image-19706" /></span>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_30 et_clickable  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><i><span style="font-weight: 400;">Fronteira Agrícola Brasileira: Matopiba e a ameaça à sustentabilidade</span></i><i><span style="font-weight: 400;"> (23)</span></i></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_31  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p><span style="font-weight: 400;">O futuro sustentável depende de respeitarmos os direitos originários dos povos indígenas. São os povos indígenas que seguram as florestas em pé. Sem florestas e territórios indígenas que as preservem, o desequilíbrio climático acelera, levando a mudanças que colocam em risco a vida de todos e todas. </span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><span style="font-weight: 400;">Demarcar é preciso. Demarcar é reparar. Demarcar é quebrar o ciclo de violência.</span></p></div>
			</div>
			</div>
				
				
				
				
			</div><div class="et_pb_row et_pb_row_11">
				<div class="et_pb_column et_pb_column_4_4 et_pb_column_11  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough et-last-child">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_32  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong style="font-size: 14px;">Notas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">1 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Marcelo Zelic é membro da Comissão Justiça e Paz de São Paulo e coordenador do Armazém Memória, foi um dos proponentes da inclusão do estudo de graves violações contra povos indígenas na CNV.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2 &#8211; Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade, TOMO II, Capítulo 5, página 206. Disponível em: </span><a href="https://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/6962"><span style="font-weight: 400;">https://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/6962</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">3 &#8211; Diário Oficial da União de 10/09/1968 página 8046. Disponível em <a href="https://www.docvirt.com/docreader.net/DocIndio/69">https://www.docvirt.com/docreader.net/DocIndio/69</a></span></p>
<p>4 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Ver nota 2 infra</span></p>
<p>5 &#8211; <span style="font-weight: 400;"> Imagens do perfil</span> <span style="font-weight: 400;">@sinalfumaca</span><span style="font-weight: 400;"> . Disponível em </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cfejq8cFHu9/"><span style="font-weight: 400;">https://www.instagram.com/p/Cfejq8cFHu9/</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span><a href="https://www.facebook.com/Artionka/posts/pfbid02UNEUndv1FDqEGyKc5ansip826SoHPJVrspZqKsuK3LXaB8CXFfebpu7A6goqgvGhl"><span style="font-weight: 400;">l</span></a><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p>6 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Exposição de Motivos 062 de 1980. Disponível</span><span style="font-weight: 400;"> em </span><span style="font-weight: 400;"><a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/crv_indigena_acervosinstituicoes/21233">http://www.docvirt.com/docreader.net/crv_indigena_acervosinstituicoes/21233</a><a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/crv_indigena_acervosinstituicoes/21233"> </a></span><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p>7 &#8211;  <span style="font-weight: 400;">Disponível em Armazém Memória &#8211; Coleções de Leis </span><a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/CRV_LeisBR/144953"><span style="font-weight: 400;">http://www.docvirt.com/docreader.net/CRV_LeisBR/144953</span></a> <span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p>8 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Ver artigo “Crimes de Tutela: Esbulho da Terra Indígena Ananás” de 2022 de Marcelo Zelic.</span></p>
<p>9 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Comissão Nacional da Verdade\Volume II\Texto 5 &#8211; Violações de direitos humanos dos povos indígenas página 252, Disponível em </span><a href="https://www.docvirt.com/docreader.net/comissaoverdade/7008"><span style="font-weight: 400;">https://www.docvirt.com/docreader.net/comissaoverdade/7008</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>10 &#8211;  <span style="font-weight: 400;">Entenda o “bolo de retrocessos” contra os indígenas que o PL 490 carrega. Disponível em </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/06/15/entenda-o-bolo-de-retrocessos-contra-os-indigenas-que-o-pl-490-carrega"><span style="font-weight: 400;">https://www.brasildefato.com.br/2021/06/15/entenda-o-bolo-de-retrocessos-contra-os-indigenas-que-o-pl-490-carrega</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>11 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Disponível em </span><a href="https://www.docvirt.com/docreader.net/DocIndio/202847"><span style="font-weight: 400;">https://www.docvirt.com/docreader.net/DocIndio/202847</span></a> <span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p>12 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Resolução Nº 15 de 1983. Câmara dos Deputados. Disponível em </span><a href="https://www2.camara.leg.br/legin/fed/rescad/1980-1987/resolucaodacamaradosdeputados-15-5-maio-1983-320292-publicacaooriginal-1-pl.html"><span style="font-weight: 400;">https://www2.camara.leg.br/legin/fed/rescad/1980-1987/resolucaodacamaradosdeputados-15-5-maio-1983-320292-publicacaooriginal-1-pl.html</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>13 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Cartografia de Ataques Contra Indígenas (CACI). Disponível em: </span><span style="font-weight: 400;"><a href="http://caci.cimi.org.br/#!/">http://caci.cimi.org.br/#!/</a><a href="http://caci.cimi.org.br/#!/"></a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">14 &#8211; Notícias STF, Disponível em <a href="https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=202762&amp;ori=1">https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=202762&amp;ori=1</a></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">15 &#8211;  Inteiro Teor do Acórdão página 37, Disponível em <a href="https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&amp;docID=2073053">https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&amp;docID=2073053</a> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">16 &#8211; Cruzada para o Oeste, discurso de Getúlio Vargas, acesso em <a href="https://www.docvirt.com/docreader.net/bmn_arquivonacional/162787">https://www.docvirt.com/docreader.net/bmn_arquivonacional/162787</a> </span></p>
<p>17 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Disponível em </span><a href="https://noticias.r7.com/brasilia/no-meu-governo-nao-foi-demarcada-terra-indigena-comemora-bolsonaro-29062022"><span style="font-weight: 400;">https://noticias.r7.com/brasilia/no-meu-governo-nao-foi-demarcada-terra-indigena-comemora-bolsonaro-29062022</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>18 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Jornal O Estado &#8211; Coleção de recortes de jornais sobre política indigenista, acervo CIMI/Norte I, acesso em </span><a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/hemeroindiorecortes/2520"><span style="font-weight: 400;">http://www.docvirt.com/docreader.net/hemeroindiorecortes/2520</span></a> <span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p>19 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Ver matéria em </span><a href="https://site-antigo.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/desmatamento-avanca-em-terras-indigenas-com-isolados"><span style="font-weight: 400;">https://site-antigo.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/desmatamento-avanca-em-terras-indigenas-com-isolados</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>20 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Relatório Final da CNV, TOMO II, Capítulo V, página 210. Disponível em </span><a href="https://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/6966"><span style="font-weight: 400;">https://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/6966</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>21 &#8211; <span style="font-weight: 400;"> idem nota 16, página 254. Disponível em </span><a href="https://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/7010"><span style="font-weight: 400;">https://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/7010</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>22 &#8211; <span style="font-weight: 400;"> idem nota 16, página 212-213, acesso em </span><a href="https://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/6969"><span style="font-weight: 400;">https://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/6969</span></a><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p>23 &#8211; <span style="font-weight: 400;">Ver matéria em </span><a href="https://tunesambiental.com/fronteira-agricola-brasileira-matopiba-e-a-ameaca-a-sustentabilidade/"><span style="font-weight: 400;">https://tunesambiental.com/fronteira-agricola-brasileira-matopiba-e-a-ameaca-a-sustentabilidade/</span></a> </p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p></div>
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		<title>Da Comissão Nacional da Verdade à Comissão Nacional Indígena da Verdade: um chamado em defesa dos Povos Indígenas e da democracia.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Aug 2021 13:38:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRV INDÍGENA]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da Verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A violência contra os Povos Indígenas está exacerbada no Brasil, mais intensa e grave. Ataques coordenados acontecem em todas as esferas do Estado brasileiro e ataques não coordenados, fruto de ações, estímulos e omissões por parte das autoridades e da FUNAI, têm ocorrido com diversos tipos de agressões e violências em seus territórios e aldeias, promovendo graves violações de direitos humanos contra os Povos Indígenas por todo território nacional. </p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><!-- /wp:post-content --></p>
<p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“3 &#8211; Instalação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade, exclusiva para o estudo das graves violações de direitos humanos contra os povos indígenas, visando aprofundar os casos não detalhados no presente estudo”. [Recomendação Reparadora]</span></i><span style="font-size: 14px;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“6 &#8211; Criação de fundos específicos de fomento à pesquisa e difusão amplas das graves violações de direitos humanos cometidas contra povos indígenas, por órgãos públicos e privados de apoio à pesquisa ou difusão cultural e educativa, incluindo-se investigações acadêmicas e obras de caráter cultural, como documentários, livros etc”. [Recomendação Pedagógica]</span></i><span style="font-size: 14px;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“12 &#8211; Regularização e desintrusão das terras indígenas como a mais fundamental forma de reparação coletiva pelas graves violações sofridas pelos povos indígenas no período investigado pela CNV, sobretudo considerando-se os casos de esbulho e subtração territorial aqui relatados, assim como o determinado na Constituição de 1988”. [Recomendação Estrutural e mecanismo de não-repetição]</span></i><span style="font-size: 14px;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade &#8211; Tomo II &#8211; Capítulo 5 &#8211; Graves violações de direitos humanos dos povos indígenas &#8211; Recomendações Indígenas.</i></b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“&#8230; &#8230;, o Estado Brasileiro, as suas elites e sucessivos governantes, sempre nos trataram como empecilhos a seus projetos de desenvolvimento, de ocupação e de morte. Daí pode ser compreendido o porquê do Estado nunca ter se estruturado para cumprir e tornar realidade os preceitos constitucionais”.</span></i></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Declaração do Abril Indígena – Acampamento Terra Livre 2021.</i></b></p>
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			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_34  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p><!-- wp:paragraph --><strong>Por Marcelo Zelic</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
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			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_35  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A violência contra os Povos Indígenas está exacerbada no Brasil, </span><span style="font-weight: 400;">mais intensa e grave</span><span style="font-weight: 400;">. Ataques coordenados acontecem em todas as esferas do Estado brasileiro e ataques não coordenados, fruto de ações, estímulos e omissões por parte das autoridades e da FUNAI, têm ocorrido com diversos tipos de agressões e violências em seus territórios e aldeias, promovendo graves violações de direitos humanos contra os Povos Indígenas por todo território nacional. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A emergência indígena declarada em 2019 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), é um chamado à ação em defesa de valores caros à vida; como a diversidade dos modos de existir em sociedade e o uso da terra e meio ambiente, o respeito aos limites territoriais de áreas de proteção ambiental e terras indígenas, à pessoa humana e demais formas de vida, às culturas e crenças diversas e aos direitos afirmados em 1988 em seus artigos 5, 231 e 232 de nossa Constituição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">O governo Bolsonaro promove o genocídio indígena no Brasil ao resgatar em sua pratica, no exercício do poder, visões de mundo e desenvolvimento do período da ditadura militar, que foram abolidos pela Constituição de 1988, quando afastou por um conjunto de leis, a tutela, a política integracionista e a imposição de projetos de desenvolvimento em territórios indígenas como políticas do Estado em sua relação com os povos indígenas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">É um governo de destruição. Fustiga desde seu primeiro dia, com atos e palavras, atuando contra os direitos indígenas e a vivência pluriétnica e democrática em sociedade, promovendo e estimulando uma relação desrespeitosa, agressiva e dolorosa para com os 305 povos existentes no país, impondo mais um ciclo de repetição do tempo do desassossego, do tempo da violência explícita, onde a estigmatização, a invisibilização da palavra e desejo indígena e reforço do preconceito junto à população, são ferramentas do Estado para viabilizar a ferro e a fogo o desenvolvimento que deseja, agredindo os povos indígenas, a sociedade brasileira e a Constituição. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Em 2016, através de um golpe que destituiu a presidente eleita Dilma Rousseff, um novo ciclo de desenvolvimento predatório passou a dar os rumos e o ritmo da espoliação das riquezas brasileiras e os povos indígenas e suas terras estão no olho desse furacão. Vivem em terras cobiçadas pelos setores que deram e se beneficiam do golpe jurídico-parlamentar-midiático aplicado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">O governo Bolsonaro trata os povos indígenas como aqueles que atrapalham esse “desenvolvimento”, como fizeram os militares em seus governos entre 1964-1985. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) bem demonstrou em seu relatório final, a violência que esse tipo de “desenvolvimento” provoca e as graves violações de direitos humanos cometidas contra os povos indígenas no período. Hoje, como na ditadura militar, que foi condenada por genocídio indígena pelo Tribunal Russell em 1980, o presidente do Brasil e o governo brasileiro têm de responder em tribunal penal e organismos internacionais sobre o genocídio indígena em curso, que executam em nosso país.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Sem pudor e com pressa, destroem pelo fogo e com a caneta a partir dos cargos que ocupam. Destroem políticas estruturadas por décadas, desregulamentam, embaralham o direito para judicializar suas ilegalidades em busca de tempo, tempo este para a consolidação de invasões de territórios e negociatas de fraudes cartoriais de posse e venda de terras indígenas e públicas ou a legalização via legislativo da grilagem, bem como a imposição de projetos desenvolvimentistas nestas terras. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Queimadas no Pantanal e na Amazônia brasileira devastam o meio ambiente e são os símbolos da invasão que ocorre sobre todos os biomas do Brasil no governo Bolsonaro, atingindo o meio ambiente, as terras imemoriais dos povos indígenas e de outras comunidades tradicionais. Se essas terras são demarcadas ou estão em disputa judicial ou processo de recomenhecimento, não importa para o governo Bolsonaro, é necessário entregá-las para a mineração, o garimpo, o agronegócio, para o comércio ilegal de madeira e a especulação imobiliária até o fim do mandato em 2022, como tem feito com as empresas estatais, patrimônio estratégico do povo brasileiro, privatizadas em crime de lesa-pátria.</span></p>
<p><a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/hemeroindio/3140" target="_blank" rel="noopener" title="Leia a íntegra da entrevista - Jornal Porantim nº 9, julho de 1979"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/08/figura-2.jpg?resize=255%2C300&#038;ssl=1" width="255" height="300" alt="Leia a íntegra da entrevista - Jornal Porantim nº 9, julho de 1979" class="wp-image-17153 aligncenter size-medium" style="float: left;" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/08/figura-2.jpg?resize=255%2C300&amp;ssl=1 255w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/08/figura-2.jpg?w=350&amp;ssl=1 350w" sizes="auto, (max-width: 255px) 100vw, 255px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">A emergência indígena é um chamado aos direitos humanos, para que atuem e se organizem, criando redes e articulações em defesa da existência indígena no Brasil, de seus direitos territoriais, culturais e meio ambiente, pois como disse Dom Tomás Balduíno, presidente do Conselho Indigenista Missionário em uma entrevista ao jornal Porantim, em 1979, </span><i style="font-size: 14px;">“não se deve silenciar nenhum crime contra o índio”</i><span style="font-size: 14px;">.</span><span style="font-size: 14px;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Essas suas palavras proferidas ainda durante a ditadura militar, retornam nos dias de hoje e vão de encontro ao chamado de emergência indígena feito pela APIB, para que a repetição da violência de Estado promovida pelo governo Bolsonaro cesse e não tenhamos daqui alguns anos ou décadas, estudos que apontem como a CNV mostrou depois de quase 50 anos, que os povos indígenas tiveram em somente 10 povos estudados, 20 vezes mais mortos e desaparecidos entre seus membros no período estudado de 1946-1988, violência intensificada durante a ditadura a partir de 1964, chegando-se a um número subestimado de 8.350 vidas indígenas vítimas do processo de desenvolvimento realizado pelos militares, cujas práticas retornam como base da ação do Estado neste governo, acusado de genocída.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">A Comissão Nacional da Verdade ao publicar seu relatório final em dezembro de 2014, deixou como legado e dívida ao Estado brasileiro, e também à sociedade nacional, 13 recomendações a serem cumpridas para promover mecanismos de respeito aos povos indígenas e mudar a relação de violência contra seus membros e seus territórios, promovida a cada ciclo de desenvolvimento no Brasil. Se cumpridas, apontam caminhos que fortalecem a democracia, a efetivação da justiça de transição para os povos indígenas e o Nunca Mais para toda a sociedade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">São 13 recomendações que atacam aspectos importantes que sustentam os mecanismos de apartheid imposto aos povos indígenas e seus direitos, visando o esbulho de suas terras. Dividem-se em recomendações pedagógicas, estruturais e reparadoras de direitos, porém desde sua publicação, jamais foram reconhecidas pelo Estado brasileiro e nunca foram desenvolvidas políticas para sua implementação. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Pelo contrário, vivemos um período de retirada de direitos contra os indígenas por parte de autoridades do Estado brasileiro, que atuam repetindo ações que violentam a cidadania indígena, sua cultura, território, direitos e desejos. Repete-se com a política de “passar a boiada” do Governo Bolsonaro, o mesmo uso de doenças, surtos e epidemias nas aldeias e comunidades para avançar contra o território indígena e tomar suas terras. Segundo dados publicados pelo Greenpeace, em 2020 durante a pandemia do COVID 19 o </span><span style="font-size: 14px;">desmatamento </span><span style="font-size: 14px;">na Amazônia </span><span style="font-size: 14px;">em terras indígenas aumentou 59%, como resultado de uma política indigenista genocida como vem denunciando a APIB.</span></p>
<p><span style="font-size: 14px;"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="876" height="620" src="https://i0.wp.com/www.greenpeace.org/static/planet4-brasil-stateless/2020/05/06f8ce9d-mapa_deter_terrasindigenas.jpg?resize=876%2C620&#038;ssl=1" alt="" class="size-medium alignnone" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.greenpeace.org/brasil/press/desmatamento-em-terras-indigenas-aumenta-59-durante-a-pandemia-da-covid-19/" target="_blank" rel="noopener"><em><span style="font-size: 14px;">Desmatamento em terras indígenas aumenta 59% na pandemia.</span></em></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">O Nunca Mais é uma realidade distante da vida e do cotidiano dos povos indígenas, nem em ciclos democráticos chegaram perto deste conceito, sofrem hoje ameaças e atentados à suas vidas, assassinatos, espancamentos, incêndios criminosos de moradias e casas de reza em suas aldeias, repressão policial violenta em suas manifestações, perseguição política e judicial de suas lideranças, vivem em luta para garantir suas existências, como os demais segmentos da sociedade que sofrem com as repetidas violências de Estado que ocorrem no Brasil, com a diferença que o foco da violência contra a população indígena não é a contenção social e sim a expropriação de seus terriitórios. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">A violência estrutural e estruturada do Estado brasileiro contra a pessoa do indígena, seus direitos constitucionais, cultura e territórios tradicionais, segue com caráter permanente e agressivo por parte de setores da sociedade que hoje comandam o país. Por isso a CNV apontou a necessidade de campanhas nacionais de esclarecimento à população sobre os direitos indígenas e a importância de uma relação respeitosa com esses povos, que são pilares do combate ao desmatamento e ao aquecimento global. Contra a invisibilidade determinou que a inclusão das graves violações de direitos humanos contra os povos indígenas se faça presente no currículo oficial da rede escolar de ensino e a criação de fundos específicos de fomento à pesquisa e difusão cultural e educativa, incluindo investigações acadêmicas sobre violações não atingidas pelos estudos da CNV.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Solicitou a mudança ou criação de legislação para conceder reparações coletivas aos povos indígenas, vítimas do desenvolvimentismo do Estado brasileiro, a abertura de processos judiciais para fins de reparação e a criação da </span><i style="font-size: 14px;">Comissão Nacional Indígena da Verdade</i><span style="font-size: 14px;"> para dar continuidade aos trabalhos iniciados em novembro de  2012 e a efetivação da justiça de transição para os povos indígenas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Apontou ainda que o mais importante mecanismo de não-repetição da violência contra os povos indígenas é a demarcação de suas terras, desintrusão de invasores e a recuperação ambiental das áreas devastadas, como forma de ensinar à sociedade e aos agentes do Estado brasileiro o respeito ao território, aos direitos e à cultura desses povos originários de nosso país.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">A resposta dos setores que tomaram o Estado brasileiro pelo golpe de 2016 e a farsa eleitoral de 2018, vai além do não reconhecimento da necessidade de se mudar condutas e políticas públicas no trato com os povos indígenas, levando-se em conta as recomendações da Comissão Nacional da Verdade, atuam frontalmente contra elas, buscam e disseminam a repetição da violência, aplicando os mesmos métodos já usados naqueles tristes tempos de ditadura militar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Assim, à sociedade cabe promover junto com os povos indígenas a judicialização das reparações para que haja efetivação da justiça de transição. É preciso assumirmos a tarefa de criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade e interpelar judicialmente setores do Estado para o cumprimento das recomendações, tanto no executivo como no legislativo e no judiciário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">É fundamental trabalharmos a busca da verdade, povo a povo, registrando as violências sofridas e ocultas até hoje em função de um desenvolvimento genocida e desrespeitoso à vida, mas buscar a verdade não só para contar as histórias de violência que existem em nosso país, mas sim, buscar a verdade para reparar cada caso estudado. Buscar a verdade para compreender a dinâmica da ação violenta do Estado, seus mecanismos de opressão, ocultamento da violência e impunidade, para a partir daí construir mecanismos de não-repetição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Reparar os povos indígenas e promover a construção de mecanismos de não-repetição são os pilares que devem nortear as ações de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade, mas é preciso também que os casos estudados possam servir para apontar em nosso presente as repetições de práticas e condutas violentas de agentes do atual governo, fundamentando, em um capítulo específico, pedidos de responsabilização criminal pelas ações que têm desenvolvido durante a gestão Bolsonaro, para que seus crimes não fiquem impunes, como os de períodos anteriores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Atacar os povos indígenas e seus direitos são graves ataques aos pilares da democracia, a superação do aquecimento global e mudanças climáticas que já se impõem por todo o planeta. Que a sociedade, as universidades e os direitos humanos se unam aos povos indígenas para a construção da Comissão Nacional Indígena da Verdade, a busca de efetivação das recomendações da CNV e da justiça de transição para os povos indígenas, para que quebremos esse ciclo permanente de violência e impunidade. É preciso dar um basta a esta violência continuada em nosso país.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Sangue indígena, nenhuma gota a mais. Demarcar é reparar. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Marcelo Zelic é membro da Comissão Justiça e Paz de São Paulo e coordenador do Armazém Memória.</span></p></div>
			</div>
			</div>
				
				
				
				
			</div><div class="et_pb_row et_pb_row_14">
				<div class="et_pb_column et_pb_column_4_4 et_pb_column_13  et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough et-last-child">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_module et_pb_divider et_pb_divider_0 et_pb_divider_position_ et_pb_space"><div class="et_pb_divider_internal"></div></div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_36  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;">PELA CRIAÇÃO DA COMISSÃO NACIONAL INDÍGENA DA VERDADE</p>
<p style="text-align: right;"></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_37  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><em>com rede solidária de pesquisa e trabalho colaborativo</em></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: right;"></div>
			</div><div class="et_pb_button_module_wrapper et_pb_button_0_wrapper et_pb_button_alignment_center et_pb_button_alignment_tablet_center et_pb_module ">
				<a class="et_pb_button et_pb_button_0 et_hover_enabled et_pb_bg_layout_dark" href="http://armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Painel-08.jpg" target="_blank">Recomendações da Comissão Nacional da Verdade</a>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_divider et_pb_divider_1 et_pb_divider_position_ et_pb_space"><div class="et_pb_divider_internal"></div></div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_38  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><iframe loading="lazy" width="560" height="315" src="https://www.youtube.com/embed/T8HPdJjDQ8s" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen=""></iframe></p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><em>campanha </em><em>de 2012 </em><em>do Armazém Memória e Toda Ópera por verdade, memória, justiça e reparação para os Guarani-Kaiowá e demais povos indígenas</em>.</p></div>
			</div>
			</div>
				
				
				
				
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><a href="https://armazemmemoria.com.br/centros-indigena/"><strong>VISITE O CENTRO DE REFERÊNCIA VIRTUAL INDÍGENA</strong></a></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_41  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><h3 style="text-align: center;"><strong>ESPECIAIS</strong><a href="https://armazemmemoria.com.br/centros-indigena/"><strong></strong></a></h3></div>
			</div>
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				<a href="https://armazemmemoria.com.br/memoria-interetnica/" target="_blank"><span class="et_pb_image_wrap "><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="250" height="250" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/05/memoria-interetinica-250x250-2.jpg?resize=250%2C250" alt="Memória Interétnica: Centro de Referência VIrtual Indígena" title="Memória Interétnica: Centro de Referência VIrtual Indígena" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/05/memoria-interetinica-250x250-2.jpg?w=250&ssl=1 250w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/05/memoria-interetinica-250x250-2.jpg?resize=150%2C150&ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px" class="wp-image-15047" /></span></a>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><em>acervo</em></p></div>
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			</div><p>O post <a href="https://armazemmemoria.com.br/da-comissao-nacional-da-verdade-a-comissao-nacional-indigena-da-verdade-um-chamado-em-defesa-dos-povos-indigenas-e-da-democracia/">Da Comissão Nacional da Verdade à Comissão Nacional Indígena da Verdade: um chamado em defesa dos Povos Indígenas e da democracia.</a> apareceu primeiro em <a href="https://armazemmemoria.com.br">Armazém Memória</a>.</p>
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		<title>Respeito ou Repetição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2020 02:41:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRV INDÍGENA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A reedição desta exposição, agora em versão digital, e sua publicação em plena pandemia Covid19, permitirá ao público em geral aferir o processo genocida em marcha no Brasil, neste exato momento, contra as populações indígenas, com a retomada da equivocada política integracionista adotada pelo Estado há um século. E nos conduz, na espiral hermenêutica, à mesma indagação de abril de 2019: respeito ou repetição? O genocídio indígena é uma história que se quer repetir?</p>
<p>O post <a href="https://armazemmemoria.com.br/respeito-ou-repeticao-bigonha/">Respeito ou Repetição</a> apareceu primeiro em <a href="https://armazemmemoria.com.br">Armazém Memória</a>.</p>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><strong>Por Antonio Carlos Bigonha</strong></p>



<p>A história se
repete. Primeiro como tragédia, depois como farsa. A frase de Karl
Marx não poderia ser mais apropriada para definir o processo
genocida de ocupação do nosso continente desde a conquista europeia
no Século XVI. E para caracterizar a memória complacente do Estado,
tanto português quanto brasileiro, ao longo desses 5 séculos.</p>



<p>A obra “Respeito
ou Repetição: a História que não se quer reviver” foi
encomendada pela 6<sup>a</sup>. Câmara de Coordenação e Revisão
do Ministério Público Federal ao Armazém Memória, sob a curadoria
do pesquisador Marcelo Zelic. A exposição foi inaugurada no
Memorial Pedro Jorge da Procuradoria-Geral República e integrou as
atividades do “Abril Indígena” do ano de 2019. Estávamos, à
época, a pouco mais de três meses do início do mandato de um novo
presidente da República que, desde o processo eleitoral,
comprometera-se com setores empresariais e conservadores da sociedade
brasileira a não respeitar o Estatuto Constitucional Indígena e a
não demarcar um centímetro de território tradicional.</p>



<p>“Respeito ou
Repetição” tem por base o Relatório Figueiredo, resgatado pela
Comissão  da
Verdade entre os arquivos da Ditadura Militar que vigorou no Brasil
entre as décadas de 1960 e 1980. Documento produzido pelos próprios
militares a partir da investigação das atrocidades cometidas pelo
Estado brasileiro contra os indígenas ao longo do Século XX, os
horrores registrados no inquérito resultaram na extinção do SPI
(Serviço de Proteção aos
Índios) e
na criação da Funai. Com o objetivo de integrar os indígenas ao
ciclo econômico rural e urbano, o SPI, nos 50 anos em que operou,
promoveu um autêntico genocídio: na década de 1980, com a
reabertura democrática, esses povos contavam com pouco mais de 200
mil indivíduos, segundo dados do CIMI.</p>



<p>A grande novidade
desde a ocupação europeia do continente seria a Assembleia Nacional
Constituinte de 1987, contexto no qual as lideranças indígenas
teriam destacada participação e que resultaria na inclusão do
Capítulo Indígena no Título da Ordem Social da Constituição de
1988. Um gesto a um só tempo político, jurídico e simbólico, pelo
resgate e reconhecimento de seus costumes e tradições, inclusive
quanto à posse e o usufruto exclusivo de seus territórios. Passados
40 anos de redemocratização, a população indígena brasileira já
supera 1 milhão de indivíduos.</p>



<p>A política adotada
pelo atual governo e sua indiferença ao passado pretendem novamente
“integrar” o indígena à sociedade brasileira, transformando-o
majoritariamente em um parceiro agrícola. Esta é a fala explícita
do presidente da República e do presidente da Funai, em obsequioso
respeito aos compromissos de campanha assumidos com a agenda
empresarial agropastoril e com a expansão da fronteira agrícola.
Essas autoridades públicas sucedem, nesse sentido, as mesmas
promessas feitas aos setores empresariais pelo presidente da
República Venceslau Brás, que governava o País há exatos 100
anos, quando foi criado o malsinado SPI e período no qual o Brasil
foi acometido pela pandemia da Gripe Espanhola. 
</p>



<p>Estamos em junho de
2020 e a história se repete como tragédia. 
</p>



<p> Em plena pandemia do vírus Covid19, a Funai não dispõe sequer de um plano emergencial articulado para a proteção dos povos indígenas e para impedir que o vírus avance em seus territórios, embora exaustivamente instada a fazê-lo. Contraditoriamente, baixa atos e publica normas, como a IN009, que dificultam a proteção dos territórios tradicionais, colocando a Autarquia Indigenista ao lado dos interesses do agronegócio e contra as reivindicações indígenas que deveria acolher por imperativo legal e constitucional. O Palácio do Planalto envia ao Parlamento Federal projeto de lei para a legalização do garimpo e da mineração em terras indígenas, expressamente vedados pela Constituição. A invasão aos seus territórios avança sob o olhar indiferente do Ministério da Justiça e das forças de segurança. Durante a pandemia há generalizado cerceamento dos direitos constitucionais dos povos indígenas. O vírus se alastra rapidamente e a APIB, em 6 de junho, computa 2.390 contaminados, 236 mortos em 93 povos atingidos. (<a href="http://quarentenaindigena.info/casos-indigenas">http://quarentenaindigena.info/casos-indigenas</a>)  </p>



<p>A reedição desta exposição, agora em <a href="https://armazemmemoria.com.br/respeito-ou-repeticao/">versão digital</a>, e sua publicação em plena pandemia Covid19, permitirá ao público em geral aferir o processo genocida em marcha no Brasil, neste exato momento, contra as populações indígenas, com a retomada da equivocada política integracionista adotada pelo Estado há um século. E nos conduz, na espiral hermenêutica, à mesma indagação de abril de 2019: respeito ou repetição? O genocídio indígena é uma história que se quer repetir?</p>



<p>Antonio Calos Alpino Bigonha é Subprocurador-Geral da República e Coordenador da 6<sup>a</sup>. CCR/MPF (biênio 2018/2020)</p>



<p></p>



<p>Acesse a exposição virtual em: </p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-armazem-memoria"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="5v8O9EIFLM"><a href="https://armazemmemoria.com.br/respeito-ou-repeticao/">Respeito ou Repetição</a></blockquote><iframe loading="lazy" class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="&#8220;Respeito ou Repetição&#8221; &#8212; Armazém Memória" src="https://armazemmemoria.com.br/respeito-ou-repeticao/embed/#?secret=5v8O9EIFLM" data-secret="5v8O9EIFLM" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div><figcaption><strong>Divulgue em suas redes sociais e convide seus contatos para visitar a exposição.</strong></figcaption></figure></div>
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		<item>
		<title>Projeto Centro de Referência Virtual Indígena (3)</title>
		<link>https://armazemmemoria.com.br/projeto-centro-de-referencia-virtual-indigena-3/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2020 01:16:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ampliação de Conteúdo]]></category>
		<category><![CDATA[CRV Indígena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O post <a href="https://armazemmemoria.com.br/projeto-centro-de-referencia-virtual-indigena-3/">Projeto Centro de Referência Virtual Indígena (3)</a> apareceu primeiro em <a href="https://armazemmemoria.com.br">Armazém Memória</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><div class="et_pb_section et_pb_section_3 et_section_regular" >
				
				
				
				
				
				
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;">O projeto “Centro de Referência Virtual Indígena” em parceria com Armazém Memória, MPF , Embaixada da Noruega está a todo vapor, estamos ampliando a documentação digital e o acesso à cultura indígena , já foram digitalizadas mais de 368.733 páginas feitas, equivalente a 43,37% do total a ser digitalizado! E ainda tem muito mais, serão 850.000 páginas de documentos que serão mapeados, digitalizados, indexados e posteriormente disponibilizados para consulta pública por meio de um portal na internet, à população em geral e à 6a Câmara &#8211; Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (MPF).</p>
<p style="text-align: justify;">Vale ressaltar que o primeiro estudo na documentação levantada pelo Armazém Memória já foi enviado ao MPF envolvendo processo judicial ligado ao povo Avá-Guarani x Itaipu Binacional e o caso Xokleng foi indicado como próximo estudo.<br /> Estamos fazendo parceria om o O OBIND (Observatório dos direitos e políticas indigenistas) para o monitoramento diário das coletas das notícias publicadas em 50 sites. A UnB (Universidade de Brasilia) com isso presta um serviço a comunidade acadêmica e à sociedade recolhendo o que é publicado sobre os povos indígenas em sites do Estado Brasileiro, indigenistas e indígenas, veículos de comunicação, proporcionando um espaço para a difusão do que acontece com a política indígenista em nosso país.</p>
<p style="text-align: justify;">Conheça o OBIND, divulgue o portal a seus pares, inscreva-se nas mídias sociais do observatório e ajude a fortalecer a grande frente de pessoas que se preocupam com a existência dos povos indígenas e com seus direitos. Para conhecer acesse: <a href="http://obind.eco.br/noticias/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://obind.eco.br/noticias/</a>    <a href="https://www.facebook.com/obindlaepi/?ref=br_rs" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Facebook</a>  <a href="https://twitter.com/OBIND_UnB" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Twitter</a>. Compartilhe esta mensagem em seus grupos.</p></div>
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				<a href="https://www.relacionais.org.br/category/noticias/" target="_blank"><span class="et_pb_image_wrap "><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="900" height="333" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/d7b57ca7-e8cc-4880-8ce7-e7fc2c7709721.png?resize=900%2C333&#038;ssl=1" alt="" title="d7b57ca7-e8cc-4880-8ce7-e7fc2c770972&#091;1&#093;" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/d7b57ca7-e8cc-4880-8ce7-e7fc2c7709721.png?w=900&ssl=1 900w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/d7b57ca7-e8cc-4880-8ce7-e7fc2c7709721.png?resize=300%2C111&ssl=1 300w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/d7b57ca7-e8cc-4880-8ce7-e7fc2c7709721.png?resize=768%2C284&ssl=1 768w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/d7b57ca7-e8cc-4880-8ce7-e7fc2c7709721.png?resize=610%2C226&ssl=1 610w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/d7b57ca7-e8cc-4880-8ce7-e7fc2c7709721.png?resize=480%2C178&ssl=1 480w" sizes="auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px" class="wp-image-13148" /></span></a>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: right;"><strong><span>“Povos Indígenas, conhecer para compreender. Compreender para respeitar  seus direitos originários à sua terra, cultura e diferenças.” </span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><a href="https://www.relacionais.org.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Visite o Relacionais</a></strong></p></div>
			</div>
			</div>
				
				
				
				
			</div>
				
				
			</div></p>
<p>O post <a href="https://armazemmemoria.com.br/projeto-centro-de-referencia-virtual-indigena-3/">Projeto Centro de Referência Virtual Indígena (3)</a> apareceu primeiro em <a href="https://armazemmemoria.com.br">Armazém Memória</a>.</p>
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		<title>Projeto Centro de Referência Virtual Indígena (2)</title>
		<link>https://armazemmemoria.com.br/projeto-centro-de-referencia-virtual-indigena-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 Feb 2020 01:09:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ampliação de Conteúdo]]></category>
		<category><![CDATA[CRV Indígena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O post <a href="https://armazemmemoria.com.br/projeto-centro-de-referencia-virtual-indigena-2/">Projeto Centro de Referência Virtual Indígena (2)</a> apareceu primeiro em <a href="https://armazemmemoria.com.br">Armazém Memória</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><div class="et_pb_section et_pb_section_4 et_section_regular" >
				
				
				
				
				
				
				<div class="et_pb_row et_pb_row_20">
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span>O projeto “Centro de Referência Virtual Indígena” em parceria com <a href="https://armazemmemoria.com.br/centros-indigena/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Armazém Memória</a>, <a href="http://www.mpf.mp.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">MPF</a> , <a href="https://www.norway.no/pt/brasil/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Embaixada da Noruega</a> está a todo vapor, estamos ampliando a documentação digital e o acesso à cultura indígena , já foram digitalizadas mais de </span><span>359.121 páginas feitas, equivalente a 42,25% do total a ser digitalizado! E ainda tem muito mais, serão 850.000 páginas de documentos que serão mapeados, digitalizados, indexados e posteriormente disponibilizados para consulta pública por meio de um portal na internet, à população em geral e à 6a Câmara &#8211; Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (MPF).</span></p>
<p><span>Estamos fazendo parceria om o O OBIND (Observatório dos direitos e políticas indigenistas) para o monitoramento diário das  coletas das notícias publicadas em 50 sites. A UnB (Universidade de Brasilia) com isso presta um serviço a comunidade acadêmica e à sociedade recolhendo o que é publicado sobre os povos indígenas em sites do Estado Brasileiro, indigenistas e indígenas, veículos de comunicação, proporcionando um espaço para a difusão do que acontece com a política indígenista em nosso país.</span></p>
<p>Conheça o OBIND, divulgue o portal a seus pares, inscreva-se nas mídias sociais do observatório e ajude a fortalecer a grande frente de pessoas que se preocupam com a existência dos povos indígenas e com seus direitos. Para conhecer acesse: <a href="http://obind.eco.br/noticias/">http://obind.eco.br/noticias/</a> Facebook: <a href="https://www.facebook.com/obindlaepi/?ref=br_rs">https://www.facebook.com/obindlaepi/?ref=br_rs</a> Twitter: <a href="https://twitter.com/OBIND_UnB">https://twitter.com/OBIND_UnB</a> . Compartilhe esta mensagem em seus grupos.</p></div>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: right;"><strong><em>“Povos Indígenas, conhecer para compreender. </em><em>Compreender para respeitar </em><em> seus direitos originários à sua terra, </em><em>cultura e diferenças</em><span>.”</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><a href="https://www.relacionais.org.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Visite o Relacionais</a></strong></p></div>
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		<title>Projeto Centro de Referência Virtual Indígena (1)</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Jan 2020 00:50:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ampliação de Conteúdo]]></category>
		<category><![CDATA[CRV Indígena]]></category>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span>O projeto “Centro de Referência Virtual Indígena” em parceria com</span><span> </span><a href="https://armazemmemoria.com.br/centros-indigena/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span>Armazém Memória</span></a><span>, </span><a href="http://www.mpf.mp.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span>MPF</span></a><span> , </span><a href="https://www.norway.no/pt/brasil/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span>Embaixada da Noruega</span></a><span> está a todo vapor, estamos ampliando a documentação digital e o acesso à cultura indígena , já foram digitalizadas mais de 180 mil páginas! E ainda tem muito mais, serão 850.000 páginas de documentos que serão mapeados, digitalizados, indexados e posteriormente disponibilizados para consulta pública por meio de um portal na internet, à população em geral e à 6a Câmara &#8211; Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (MPF).</span></p></div>
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				<a href="https://www.relacionais.org.br/category/noticias/" target="_blank"><span class="et_pb_image_wrap "><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="900" height="333" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/bbaad349-aff3-448a-8b92-d5acd6c415af1.png?resize=900%2C333&#038;ssl=1" alt="" title="bbaad349-aff3-448a-8b92-d5acd6c415af&#091;1&#093;" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/bbaad349-aff3-448a-8b92-d5acd6c415af1.png?w=900&ssl=1 900w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/bbaad349-aff3-448a-8b92-d5acd6c415af1.png?resize=300%2C111&ssl=1 300w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/bbaad349-aff3-448a-8b92-d5acd6c415af1.png?resize=768%2C284&ssl=1 768w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/bbaad349-aff3-448a-8b92-d5acd6c415af1.png?resize=610%2C226&ssl=1 610w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/bbaad349-aff3-448a-8b92-d5acd6c415af1.png?resize=480%2C178&ssl=1 480w" sizes="auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px" class="wp-image-13126" /></span></a>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: right;"><strong><em>“Povos Indígenas, conhecer para compreender. </em><em>Compreender para respeitar </em><em> seus direitos originários à sua terra, </em><em>cultura e diferenças</em><span>.”</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><a href="https://www.relacionais.org.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Visite o Relacionais</a></strong></p></div>
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		<title>Projeto Centro de Referência Virtual Indígena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Dec 2019 01:38:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ampliação de Conteúdo]]></category>
		<category><![CDATA[CRV Indígena]]></category>
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;">Armazém Memória, Embaixada Real da Noruega em Brasília, Instituto de Políticas Relacionais em parceria com Ministério Público Federal &#8211; Procuradoria Regional Da República 3a Região (MPF) e Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas” (OBIND) da UnB &#8211; Universidade de Brasília, com objetivo de ampliar a documentação digital em mais de 850.000 páginas de documentos de interesse aos povos indígenas e sua cultura serão mapeados, digitalizados, indexados e disponibilizados para consulta pública como Centro de Referência Virtual Indígena!</p>
<p style="text-align: justify;">
<div class="o9v6fnle cxmmr5t8 oygrvhab hcukyx3x c1et5uql ii04i59q">
<div dir="auto"></div>
<div dir="auto"><a href="https://www.facebook.com/relacionais/posts/3309090459161183" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Na foto</a>: Daniela Greeb (Relacionais), Marcelo Zelic (Armazém Memória) e Kristan Bengtson (Embaixada da Naruega).</div>
</div></div>
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				<a href="https://www.relacionais.org.br/category/noticias/" target="_blank"><span class="et_pb_image_wrap "><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="658" height="514" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Atividades-2.jpg?resize=658%2C514&#038;ssl=1" alt="" title="Atividades 2" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Atividades-2.jpg?w=658&ssl=1 658w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Atividades-2.jpg?resize=300%2C234&ssl=1 300w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Atividades-2.jpg?resize=610%2C477&ssl=1 610w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/01/Atividades-2.jpg?resize=480%2C375&ssl=1 480w" sizes="auto, (max-width: 658px) 100vw, 658px" class="wp-image-13154" /></span></a>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_51  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: right;"><strong><em>“Povos Indígenas, conhecer para compreender. </em><em>Compreender para respeitar </em><em> seus direitos originários à sua terra, </em><em>cultura e diferenças</em><span>.”</span></strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><a href="https://www.relacionais.org.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Visite o Relacionais</a></strong></p></div>
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		<title>Da Comissão Nacional da Verdade ao Golpe de 2016: a negação da Justiça de Transição</title>
		<link>https://armazemmemoria.com.br/da-comissao-nacional-da-verdade-ao-golpe-de-2016-a-negacao-da-justica-de-transicao-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Oct 2017 16:40:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ARTIGOS]]></category>
		<category><![CDATA[CRV INDÍGENA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Por Marcelo Zelic*, publicado no Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil &#8211; 2017 Uma janela contra o esquecimento abriu-se aos povos indígenas quando, em maio de 2012, os membros da Comissão Nacional da Verdade (CNV) reuniram-se no escritório da Presidência da República, em São Paulo, com entidades de direitos humanos para discutir a [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Por Marcelo Zelic*, publicado no <a href="http://www.cimi.org.br/pub/Relatorio2016/relatorio2016.pdf" target="_blank" rel="noopener">Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil &#8211; 2017</a></p>
<p style="text-align: justify;">Uma janela contra o esquecimento abriu-se aos povos indígenas quando, em maio de 2012, os membros da Comissão Nacional da Verdade (CNV) reuniram-se no escritório da Presidência da República, em São Paulo, com entidades de direitos humanos para discutir a inclusão da violência praticada pelo Estado contra os povos indígenas nos estudos da CNV.</p>
<p style="text-align: justify;">Pouco antes, na Câmara dos Deputados, o genocídio Waimiri-Atroari havia sido tema de debate na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), onde o indigenista Egydio Schwade também reforçou a necessidade desta inclusão.</p>
<p style="text-align: justify;">Em novembro de 2012, a CNV constituiu um grupo de trabalho para investigar este tipo de violação. Ao publicar seu relatório final, em dezembro de 2014, a Comissão abriu a porta da Justiça de Transição aos povos indígenas, pautando, com a busca da verdade sobre as graves violações que sofreram entre 1946 e 1988, a necessidade de reparação aos atingidos, além de atribuir à demarcação de suas terras um papel central para que a justiça e a reparação tenham efetividade.</p>
<p style="text-align: justify;">O relatório final proporcionou à sociedade um olhar mais amplo sobre a violência de praticada pelo Estado no passado recente, incluindo vários outros segmentos atingidos e expondo um pouco da dor vivida por esses povos em sua relação com a sociedade não-indígena. A pesquisa deste grupo específico da CNV também explicitou as trágicas consequências destes povos terem sido considerados como entraves ao desenvolvimento nacional e desprovidos de saber e de direitos; visão preconceituosa difundida há décadas e que perdura até hoje, criminalizando outras formas de viver em sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">A inclusão dos povos indígenas na Justiça de Transição gerou atritos com a política governamental, baseada em “mesas de diálogo”, que surgiram como uma forma de resolver a judicialização dos conflitos agrários, e tinha o objetivo de protelar as demarcações e buscar um “bom acordo”. Ou seja, impulsionado pela paralisação total das demarcações de terras indígenas no país solicitada pela Casa Civil, este “acordo” pretendia forçar uma solução desvantajosa aos indígenas brasileiros nas mesas coordenadas pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e fortalecer as negociações pela “governabilidade” com setores da bancada ruralista no Congresso Nacional.</p>
<p><div id="attachment_5901" style="width: 429px" class="wp-caption alignleft"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5901" class="wp-image-5901 " src="https://i0.wp.com/fneei.org/wp-content/uploads/2017/10/reuniao_ms.jpg?resize=419%2C279" alt="" width="419" height="279" /><p id="caption-attachment-5901" class="wp-caption-text">A posição da mesa de diálogo colocou o governo junto aos ruralistas em contraposição aos povos indígenas do MS.</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">Umas das mesas, realizada em maio de 2015, reuniu representantes dos povos Guarani e Kaingang, e teve um desfecho que fez cair máscaras. Os Guarani da Terra Indígena (TI) de Mato Preto foram as primeiras vítimas do esbulho e perderam 85% de seu território neste “bom acordo” conduzido pelo Ministério da Justiça. Terra esta que já havia sido encaminhada em sua integralidade para homologação à Presidência da República, e reconhecida como território indígena pela Fundação Nacional do Índio (Funai). O acordo foi firmado mediante o impacto da prisão de diversas lideranças Kaingang que, semanas antes, acabaram presas enquanto aguardavam a chegada de Cardozo para a “mesa de diálogo” sobre suas terras. A comunidade ficou sem algumas de suas lideranças por meses, até que a Justiça lhes concedessem o direito ao habeas-corpus.</p>
<p style="text-align: justify;">O povo Terena, por sua vez, em uma “mesa de diálogo” no Mato Grosso do Sul, na presença do ministro da Justiça e de diversos representantes ruralistas, introduziram elementos da Justiça de Transição na discussão e apresentaram documentos localizados que integram o Relatório Figueiredo. Perdido por 44 anos, este documento foi encontrado durante os trabalhos da CNV, e contém informações colhidas e sistematizadas nos anos 1960 sobre o esbulho de territórios e rendas de indígenas em várias partes do Brasil. A partir deste momento a figura do invasor de boa-fé passou a ser valorizada, como também criou uma porta para os que não o são, de modo que tivessem que justificar o roubo das terras indígenas. Após este episódio, as “mesas de diálogo” não prosperaram no Mato Grosso do Sul.</p>
<p><div id="attachment_5898" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5898" class="wp-image-5898 size-full" src="https://i0.wp.com/fneei.org/wp-content/uploads/2017/10/Portaria154Zelic1.jpg?resize=524%2C522" alt="" width="524" height="522" /><p id="caption-attachment-5898" class="wp-caption-text">Portaria nº 1 da comissão de investigação que produziu o Relatório Figueiredo</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">A política indigenista do mandato de Dilma Rousseff serviu aos interesses do governo para atrair o apoio da bancada ruralista no Congresso Nacional e dos empresários do agronegócio nos estados. Apesar do governo ter mantido a paralisação das demarcações e realizado investimentos massivos no agronegócio, a bancada ruralista articulou e votou, com pouquíssimas exceções, pelo afastamento da presidenta Dilma, sendo este setor muito beneficiado com o golpe de Estado que empossou Michel Temer em 31 de agosto de 2016.</p>
<p>O relatório publicado naquele mesmo mês pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos sobre a situação dos povos indígenas e quilombolas da região Sul do país, traz um retrato das consequências desastrosas da política indigenista implementada entre 2011 e 2015.</p>
<p>“O conjunto das denúncias destes povos expressa um quadro adverso de conflitos fundiários, violência policial e aprisionamento de lideranças, agressões e declarações públicas de conteúdo racista pronunciado por autoridades e agentes públicos, desatenção e negligência dos órgãos públicos quanto ao atendimento à saúde, ao direito à convivência familiar e comunitária, à educação escolar, diferenciada e bilíngue, à moradia, à segurança alimentar, e à regularização fundiária, dentre outras violações”</p>
<p>Ceder direitos fundamentais de segmentos da sociedade por apoio político de forças contrárias a um projeto democrático, inclusivo, pluriétnico e popular resultou em retrocesso dos direitos humanos, desrespeito aos direitos constitucionais dos povos indígenas, desequilíbrio das forças em conflito, mais certeza de impunidade pelos que praticam a violência contra estes povos, acirramento dos conflitos, isolamento do governo e o emparedamento de suas ações até o desfecho do golpe.</p>
<p><b>Os povos indígenas pedem reparação, pelo passado e pelo presente</b></p>
<p style="text-align: justify;">O genocídio de 85% da população Waimiri-Atroari também pede reparação e está documentado nos relatórios da CNV e das comissões estaduais de São Paulo e do Amazonas. Como consequência do massacre deste povo, houve a expropriação de 90% de suas terras indígenas, configurando-se como um crime de lesa-humanidade, conforme a Convenção nº 107, adotada em Genebra em 26 de julho de 1956, da qual o Brasil é signatário e a internalizou em nosso ordenamento jurídico através do Decreto nº 58.824, de 14 de julho de 19667.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2015, em vez de efetivar a Justiça de Transição e, como gesto concreto, mudar de conduta na aplicação da Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como recomendou a CNV, o governo autorizou a construção de um linhão de eletricidade cujo traçado cortará os 10% do que sobrou do território Waimiri-Atroari, de ponta a ponta. Desse modo, desconsiderou a necessidade de reparação recomendada pela CNV e também o relatório publicado pela OIT, que denuncia o Brasil pela violação da Convenção 169 ao não ouvir os povos indígenas atingidos pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso o Estado brasileiro sinalizou à sociedade que não haverá reparação, que há um interdito na Justiça de Transição no Brasil e que a repetição de um novo ciclo de violência contra os povos indígenas é o custo, inevitável, do “progresso” e do “desenvolvimento”. Com o golpe político na Presidência do país, a Justiça de Transição e a democracia afastaram-se ainda mais das práticas político-sociais do Estado brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Pouco antes do afastamento da presidenta Dilma Rousseff, em busca de apoio contra a aprovação do seu impedimento, o governo assinou algumas homologações e demarcações de terras, mas aí já era tarde.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram 5 anos de uma política indigenista subserviente ao agronegócio, onde ao menos 294 indígenas foram assassinados em todo o país entre 2011 e 2015. Alguns destes foram mortos pelas mãos do próprio Estado brasileiro; outros seletivamente pelo agronegócio, por participarem da luta pelas suas terras ancestrais, pela organização de suas comunidades e/ou por buscarem outros modelos de educação e empoderamento para seus povos; outros ainda pela triste situação de confinamento em que vivem, com pouquíssima terra e densidade populacional muito acima da média nacional, sendo esta uma das raízes da violência interna nas aldeias.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 2016, a Funai sofreu várias tentativas de deslegitimação de seu papel constitucional de demarcar as terras dos povos originários, teve uma redução drástica de seu baixo orçamento e recebeu os mais diversos tipos de pressão. Como resultado, inúmeras áreas indígenas em disputa foram degradadas e ocupadas pelo agronegócio, transformando as matas em monoculturas, áreas de criação de gado, de extração mineral, de extração de madeiras e de grandes projetos desenvolvimentistas, como hidrelétricas, linhões de eletricidade e estradas, que já se estabeleceram ou estão previstos para estas áreas.</p>
<p style="text-align: justify;">O genocídio que está ocorrendo em pleno século XXI contra o povo Guarani- -Kaiowá, confinado desde a ditadura militar em pequenas áreas de terra, poderia ter sido evitado com o reconhecimento das terras indígenas no Mato Grosso do Sul, como apontaram organizações indígenas do estado. Desse modo, o valor do direito deles e sua importância como povos originários seriam sinalizados para o Judiciário e toda a sociedade local e brasileira. Esta solução, no entanto, é impraticável numa política indigenista vulnerável e submissa às demandas oriundas das tratativas por “governabilidade”, realizadas com a Frente Parlamentar pela Agropecuária no Congresso Nacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Conforme o mapa <a href="http://caci.cimi.org.br/#!/">da plataforma Caci</a>, os assassinatos de indígenas entre 2011 e -2015 ocorreram em todo o Brasil, sendo que o Mato Grosso do Sul continua sendo o estado mais violento, mantendo a primeira colocação do mapa de 2003-2010. Ao assumir, o governo Dilma não desconhecia a situação de conflito neste estado, pois as denúncias formais têm sido constantemente feitas através de organismos de direitos humanos internos e internacionais. O Mato Grosso do Sul também é uma das duas regiões em que ocorreu o maior número de suicídios de indígenas no Brasil em 2016, um total de 30 – mesmo número de suicídios ocorridos entre os Tikuna, no Alto Rio Solimões. Frente a este quadro de genocídio, demarcar as terras ancestrais dos povos originários é uma solução óbvia, necessária e urgente, mas o que tem predominado há décadas no período é a paralisação como política de Estado.</p>
<p style="text-align: justify;"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-5900" src="https://i0.wp.com/fneei.org/wp-content/uploads/2017/10/assasinatos-ind%C3%ADgenas.jpg?resize=650%2C359" alt="" width="650" height="359" /></p>
<p style="text-align: justify;">Em dezembro de 2014, a Comissão Nacional da Verdade apontou em seu relatório final a não demarcação das terras indígenas como o principal fator da violência contra os povos nativos entre 1946 e 1988. Na ocasião, a CNV apresentou treze Recomendações ao Estado brasileiro10, que foram recebidas pelo governo mas nunca analisadas, empurrando o trabalho da Comissão rumo ao esquecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Com muito esforço foi realizada uma sessão pública para a entrega do Relatório Final à Presidência da República. Nenhuma palavra do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi ouvida sobre a criação da Comissão Indígena da Verdade, cujo objetivo é dar sequência aos trabalhos iniciados pela CNV. Pelo contrário, este Ministério contestou um pedido do Ministério Público Federal (MPF), junto à Comissão de Anistia, de reparação coletiva ao povo Krenak por ter vivido em situação de campo de concentração em sua própria terra durante a ditadura. Conhecido como “Reformatório” Krenak, a cadeia abrigou indígenas de vários estados do Brasil entre 1970 e meados dos anos 1980. Também houve a remoção forçada de indígenas quando a cadeia mudou de área, causando a perda de uma parte significativa de seu território.</p>
<p style="text-align: justify;">Desse modo, é claro que o Estado brasileiro deve reparação aos Krenak pelos crimes de lesa-humanidade praticados, assim como tem uma dívida histórica com as outras centenas de povos que conseguiram sobreviver no Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">O engavetamento das Recomendações da Comissão Nacional Verdade não se deu somente com aquelas treze voltadas aos povos indígenas. Em maio de 2015 este tema já não aparecia mais na imprensa, e tampouco era objeto de trabalho dos segmentos do Estado, que deveriam se debruçar sobre os encaminhamentos sugeridos pela CNV para realizarem a Justiça de Transição. Com o golpe, que colocou e mantém Temer na Presidência do país, o assunto foi enterrado de vez.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando a CNV afirma em seu relatório final que “a apropriação de terras indígenas e seus recursos foi favorecida, a corrupção de funcionários não foi controlada e a violência extrema de grupos privados contra os índios não foi punida. Com exceção de alguns casos esparsos, justiça não foi feita”, não retrata somente uma época, mas fundamentalmente expõe a conduta do Estado e demanda mudanças. A Comissão recomenda, dentre outras, a criação de mecanismos de não-repetição. À demarcação das terras indígenas, agregou-se a função de ser esse um dos mecanismos necessários para que a Justiça de Transição seja efetivada e a sociedade brasileira passe a se relacionar de modo respeitoso com os povos indígenas, reconhecendo seus direitos originários ao território tradicional.</p>
<p><div id="attachment_5899" style="width: 681px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5899" class="wp-image-5899 size-full" src="https://i0.wp.com/fneei.org/wp-content/uploads/2017/10/IndigenasMemoria90Zelic1.jpg?resize=671%2C284" alt="" width="671" height="284" /><p id="caption-attachment-5899" class="wp-caption-text">Fragmento do relatório de 1990 do Estado Maior das Forças Armadas</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">O documento “Memória Nº 058/DPEE/90”, localizado no Arquivo Nacional e datado de 16 de agosto de 1990, trata dos principais problemas nas Áreas Indígenas no início do governo Collor, apontados pela Secretaria de Assuntos Estratégicos do Estado Maior das Forças Armadas (EMFA). Destaca em suas considerações que “da análise da problemática indígena, conclui-se que a questão fundiária é a raiz das principais controvérsias”.</p>
<p style="text-align: justify;">A verdade sobre as graves violações de direitos humanos contra os povos indígenas é incômoda para os poderes da República, que desde 1990 tem ciência da centralidade e urgência de demarcar as terras indígenas como único mecanismo capaz de refrear as violências contra estes povos no país. É preciso apontar que em 2014 a Comissão Nacional da Verdade reafirmou o estudo do EMFA e repetiu, 24 anos depois, a mesma necessidade para combater a violência e a impunidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O governo ilegítimo de Michel Temer, tão logo assumiu o poder, aprofundou os desmandos da política indigenista do governo Dilma, intensificando o processo de retirada de direitos. Imediatamente, o governo Temer anunciou a revisão das homologações e demarcações assinadas por sua antecessora, e vários processos com este fim passaram a tramitar no Congresso Nacional. Entregou a Presidência da Funai e de suas regionais a setores anti-indígenas, majoritariamente por indicação das bancadas ruralista e evangélica. Estrangulou o orçamento da instituição, diminuindo o quadro de pessoal, manteve as demarcações paradas e não tomou nenhuma atitude em relação à violência física praticada contra indígenas, que aumentou muito em 2016 e 2017. No campo da Justiça de Transição, trocou todo o quadro de membros da Comissão de Anistia, praticamente anulando a caminhada de inclusão destes povos às reparações. Os conflitos recrudesceram contra o indígena brasileiro em todo o país depois do golpe parlamentar.</p>
<p style="text-align: justify;">No Legislativo, as forças ruralistas apresentaram vários projetos de lei com o objetivo de sustar tanto o rito de demarcação regulamentado em 1996, como &#8211; e tão grave quanto – o de sustar terras demarcadas e homologadas pelo Estado brasileiro. Esta ofensiva gerou um ambiente de insegurança jurídica para os direitos constitucionais dos povos indígenas, estimulando invasões aos territórios, como foi o caso da Terra Indígena Marãiwatsédé, do povo Xavante.<br />
Gravações feitas pela Polícia Federal comprovam que o deputado federal ruralista Nilson Leitão (PSDB-MT) estimulou famílias de agricultores a invadir esta terra tradicional.</p>
<p style="text-align: justify;">Parlamentares ligados ao setor ruralista também atuam no sentido de intimidar lideranças indígenas de todo o país e instituições indigenistas históricas, por meio, por exemplo, de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI).<br />
Em uma delas, instalada no Congresso Nacional, atacaram e intimidaram o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Instituto Socioambiental (ISA), o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e outras organizações, incluindo também a Funai e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com o objetivo de perseguir os servidores públicos que trabalham em consonância com a missão destas instituições.</p>
<p><div id="attachment_5897" style="width: 760px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-5897" class="wp-image-5897 size-full" src="https://i0.wp.com/fneei.org/wp-content/uploads/2017/10/IndigenasBrasilia1.jpg?resize=750%2C410" alt="" width="750" height="410" /><p id="caption-attachment-5897" class="wp-caption-text">Manifestação dos povos indígenas no STF contra o marco temporal.</p></div></p>
<p style="text-align: justify;">O Supremo Tribunal Federal (STF) ao não declarar inconstitucional o “marco temporal”, estratégia jurídica ruralista que afronta o direito originário destes povos às suas terras, alimenta a violência que vivemos hoje.<br />
No campo da Justiça de Transição, tal postura dos magistrados anistiará aqueles que no passado tomaram as terras indígenas com violência, os expulsaram e se estabeleceram nelas.</p>
<p style="text-align: justify;">O relatório final da Comissão Nacional da Verdade traz elementos claros sobre as violações e violências sofridas por estes povos na defesa de seus territórios e a dificuldade de permanecer neles, tendo como agravante viverem em um regime de tutela, onde o Estado, mesmo sendo o tutor destes povos, era um agente aliado daqueles que lesavam seus patrimônios.</p>
<p style="text-align: justify;">Protelar a decisão de inconstitucionalidade do “marco temporal” dificulta a internalização da Justiça de Transição no país e estimula os juízos de primeira e segunda instâncias a criarem uma jurisprudência inconstitucional contra o direito originário consolidado no ordenamento jurídico desde o começo do século XX.</p>
<p style="text-align: justify;">São desafios da Justiça de Transição, para contrapor este ciclo de repetição da violência secular contra os povos indígenas e a retirada de seus direitos constitucionais, construir mecanismos reparatórios de estabelecimento da verdade, a demarcação de suas terras e a reparação aos povos atingidos, o controle e a promoção de responsabilização e a mudança de conduta do Estado e da sociedade, bem como fomentar a educação sobre os direitos desses povos.<br />
Cabe às várias forças que hoje se mobilizam pelo retorno da ordem constitucional incluir a causa indígena e pautá-la junto às demais demandas da sociedade brasileira, para cancelarmos este interdito à Justiça de Transição e reestabelecer um rumo democrático e pluriétnico de convivência em nosso dia-a-dia, dando condições de existência a todos os segmentos que formam o povo brasileiro.</p>
<p style="text-align: justify;">O Agro não é pop, o agro não é tudo. Há muito mais vida, e vida em abundância, na diversidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><i>*Marcelo Zelic é diretor de Relações Institucionais do Grupo Tortura Nunca Mais-SP; e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; coordenador do Projeto Armazém Memória, foi um dos proponentes da criação do Grupo de Trabalho (GT) Indígena na Comissão Nacional da Verdade (CNV) e um de seus colaboradores</i></p>
<p style="text-align: justify;"><b>FONTES DOCUMENTAI</b><strong>S:</strong><br />
Relatório CNV &#8211; <a href="http://www.cnv.gov.br/" target="_blank" rel="noopener">http://www.cnv.gov.br/</a><br />
Relatório CNV &#8211; Capítulo Indígena: <a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/6959" target="_blank" rel="noopener">http://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/6959</a><br />
Relatório Conselho Nacional de Direitos Humanos &#8211;<br />
<a href="http://www.sdh.gov.br/sobre/participacao-social/cndh/relatorios/relatorio-do-gt-sobre-direitos-dos-povos-indig" target="_blank" rel="noopener">http://www.sdh.gov.br/sobre/participacao-social/cndh/relatorios/relatorio-do-gt-sobre-direitos-dos-povos-indig</a><br />
enas-da-regiao-sul-1<br />
Relatório CEV- São Paulo &#8211; <a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/7164" target="_blank" rel="noopener">http://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/7164</a><br />
Relatório CEV- Amazonas: <a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/1032" target="_blank" rel="noopener">http://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/1032</a><br />
Decreto nº 58.824 de 14/07/1966 &#8211; <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/D58824.htm" target="_blank" rel="noopener">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/D58824.htm</a><br />
Conveção 169 OIT &#8211; <a href="http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Convencao_169_OIT.pdf" target="_blank" rel="noopener">http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Convencao_169_OIT.pdf</a><br />
CACI &#8211; Cartografia de Ataques Contra Indígenas &#8211; <a href="http://caci.cimi.org.br" target="_blank" rel="noopener">http://caci.cimi.org.br</a><br />
Para ler as Recomendações da CNV, acesse: <a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/7009" target="_blank" rel="noopener">http://www.docvirt.com/docreader.net/ComissaoVerdade/7009</a></p>
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		<title>Perdidos e Malditos (Geraldo Veloso 1975) &#8211; Drama</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Mar 2017 04:36:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[FILMOTECAS]]></category>
		<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Filmes 1975]]></category>
		<category><![CDATA[Geraldo Veloso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; PERDIDOS E MALDITOS, 1970/5, Rio de Janeiro, RJ. SINOPSE: A luta existencial de Almeida, diretor de um jornal, por ser genro do dono e sempre consciente de que não atingiu tal posto por mérito profissional. (fop: d-2) FICHA TÉCNICA: pre: Geraldo Veloso e Maria Elizabeth Pereira; dir, arg, rot e mtg: Geraldo Veloso; fot: [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>PERDIDOS E MALDITOS, 1970/5, Rio de Janeiro, RJ.</p>
<p><strong>SINOPSE:</strong> A luta existencial de Almeida, diretor de um jornal, por ser genro do dono e sempre consciente de que não atingiu tal posto por mérito profissional. (fop: d-2)</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/K23NiMIyot4?list=PLIPzY18-6TZWZmEQKBb9my16foCUNKIr7?ecver=1" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><strong>FICHA TÉCNICA:</strong> pre: Geraldo Veloso e Maria Elizabeth Pereira; dir, arg, rot e mtg: Geraldo Veloso; fot: João Carlos Horta; cam: Antônio Penido; sng: Walter Goulart; mix: Carlos de la Riva; mus: Miles Davis; cpr: Geraldo Veloso Produções Cinematográficas; dis: Agedor Filmes; p&amp;b, 35mm, 75 min, gen: drama.</p>
<p><strong>ELENCO:</strong> Paulo Villaça, Maria Esmeralda, Carlos Figueiredo da Silva, Billy Davis, Marcelo França, Dina Sfat, Célia Messias, Selma Caronezzi, Geraldo Veloso, Carlos Figueiredo, Marcelo Pietsc, Célia Veloso.</p>
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<p><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-9162 size-full" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2017/03/perdidos-e-malditos_tNone1.png?resize=290%2C377&#038;ssl=1" width="290" height="377" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2017/03/perdidos-e-malditos_tNone1.png?w=290&amp;ssl=1 290w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2017/03/perdidos-e-malditos_tNone1.png?resize=231%2C300&amp;ssl=1 231w" sizes="auto, (max-width: 290px) 100vw, 290px" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em 2008 o filme fez parte da MOSTRA exibida em Porto Alegre no Rio Grande do Sul junto a outros 9 filmes importantes do Cinema Marginal produzido no Brasil.</p>
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<p><div id="attachment_9094" style="width: 273px" class="wp-caption aligncenter"><a href="https://armazemmemoria.com.br/cinema-marginal-a-imaginacao-contra-o-poder"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-9094" class="wp-image-9094" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Cartaz1.jpg?resize=263%2C377&#038;ssl=1" width="263" height="377" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Cartaz1.jpg?resize=209%2C300&amp;ssl=1 209w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Cartaz1.jpg?resize=768%2C1102&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Cartaz1.jpg?resize=714%2C1024&amp;ssl=1 714w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Cartaz1.jpg?resize=610%2C875&amp;ssl=1 610w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2017/03/Cartaz1.jpg?w=807&amp;ssl=1 807w" sizes="auto, (max-width: 263px) 100vw, 263px" /></a><p id="caption-attachment-9094" class="wp-caption-text">Clique no Cartaz e Assista a Mostra.</p></div></p>
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		<title>Discografia de Sérgio Sampaio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Feb 2017 15:18:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[DISCOGRAFIAS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>. O Armazém Memória publica a discografia do cantor e compositor Sérgio Sampaio morto em 1994. Destacamos o texto abaixo do portal Quadrada dos Canturis, que foi uma das fontes de reunião de sua discografia. Aproveitem esta música de irreverência, feita por um artista que sempre teve o que dizer. A necessidade de colocarmos o bloco [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><iframe loading="lazy" style="border: none; overflow: hidden;" src="https://www.facebook.com/plugins/share_button.php?href=http%3A%2F%2Farmazemmemoria.com.br%2Fsergio-sampaio%2F&amp;layout=button_count&amp;mobile_iframe=true&amp;width=147&amp;height=20&amp;appId" width="147" height="20" frameborder="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;">.</p>
<p style="text-align: justify;">O Armazém Memória publica a discografia do cantor e compositor Sérgio Sampaio morto em 1994. Destacamos o texto abaixo do portal <a href="http://quadradadoscanturis.blogspot.com.br/2014/12/sergio-sampaio-discografia.html" target="_blank">Quadrada dos Canturis</a>, que foi uma das fontes de reunião de sua discografia.</p>
<p style="text-align: justify;">Aproveitem esta música de irreverência, feita por um artista que sempre teve o que dizer. A necessidade de colocarmos o bloco na rua exposta de forma tão direta é parte das urgências no Brasil de hoje.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Visceral, poeta, gênio. Incompreendido, injustiçado, marginalizado. Turrão, teimoso, irascível. Maldito. Os epítetos para definir Sérgio Sampaio são muitos, e nenhum deles dá conta da figura mítica do músico cachoeirense. Os clichês, na verdade, vêm feito muletas, no amparo do desconhecimento de uma obra faustosa, ainda relegada ao subterrâneo do imaginário nacional. Vinte anos após sua morte – ele foi vítima de uma crise de pancreatite, derivada do abuso de álcool –, completados hoje, uma série de projetos têm tentado resgatar do limbo o nome de Sampaio, desde shows com seu repertório e página na internet a gravações de faixas inéditas.&#8221; por Leandro Reis.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="https://armazemmemoria.com.br/sergio-sampaio/">ACESSE AQUI</a> A PÁGINA DA DISCOGRAFIA DE SÉRGIO SAMPAIO NO ARMAZÉM MEMÓRIA.</p>
<p style="text-align: justify;">Publicado em: <a href="http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2014/05/entretenimento/cultura_e_famosos/1486864-sergio-sampaio-tem-vida-e-obra-resgatadas-vinte-anos-apos-sua-morte.html" target="_blank">http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2014/05/entretenimento/cultura_e_famosos/1486864-sergio-sampaio-tem-vida-e-obra-resgatadas-vinte-anos-apos-sua-morte.html</a></p>
<p>O post <a href="https://armazemmemoria.com.br/discografia-de-sergio-sampaio/">Discografia de Sérgio Sampaio</a> apareceu primeiro em <a href="https://armazemmemoria.com.br">Armazém Memória</a>.</p>
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