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	<title>Arquivo de Comissão da Verdade - Armazém Memória</title>
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	<description>Um resgate coletivo da história</description>
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	<title>Arquivo de Comissão da Verdade - Armazém Memória</title>
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		<title>Da Comissão Nacional da Verdade à Comissão Nacional Indígena da Verdade: um chamado em defesa dos Povos Indígenas e da democracia.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Aug 2021 13:38:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRV INDÍGENA]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da Verdade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A violência contra os Povos Indígenas está exacerbada no Brasil, mais intensa e grave. Ataques coordenados acontecem em todas as esferas do Estado brasileiro e ataques não coordenados, fruto de ações, estímulos e omissões por parte das autoridades e da FUNAI, têm ocorrido com diversos tipos de agressões e violências em seus territórios e aldeias, promovendo graves violações de direitos humanos contra os Povos Indígenas por todo território nacional. </p>
<p>O post <a href="https://armazemmemoria.com.br/da-comissao-nacional-da-verdade-a-comissao-nacional-indigena-da-verdade-um-chamado-em-defesa-dos-povos-indigenas-e-da-democracia/">Da Comissão Nacional da Verdade à Comissão Nacional Indígena da Verdade: um chamado em defesa dos Povos Indígenas e da democracia.</a> apareceu primeiro em <a href="https://armazemmemoria.com.br">Armazém Memória</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="et_pb_section et_pb_section_0 et_section_regular" >
				
				
				
				
				
				
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				<div class="et_pb_text_inner"><p><!-- /wp:post-content --></p>
<p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“3 &#8211; Instalação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade, exclusiva para o estudo das graves violações de direitos humanos contra os povos indígenas, visando aprofundar os casos não detalhados no presente estudo”. [Recomendação Reparadora]</span></i><span style="font-size: 14px;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“6 &#8211; Criação de fundos específicos de fomento à pesquisa e difusão amplas das graves violações de direitos humanos cometidas contra povos indígenas, por órgãos públicos e privados de apoio à pesquisa ou difusão cultural e educativa, incluindo-se investigações acadêmicas e obras de caráter cultural, como documentários, livros etc”. [Recomendação Pedagógica]</span></i><span style="font-size: 14px;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“12 &#8211; Regularização e desintrusão das terras indígenas como a mais fundamental forma de reparação coletiva pelas graves violações sofridas pelos povos indígenas no período investigado pela CNV, sobretudo considerando-se os casos de esbulho e subtração territorial aqui relatados, assim como o determinado na Constituição de 1988”. [Recomendação Estrutural e mecanismo de não-repetição]</span></i><span style="font-size: 14px;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade &#8211; Tomo II &#8211; Capítulo 5 &#8211; Graves violações de direitos humanos dos povos indígenas &#8211; Recomendações Indígenas.</i></b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><i><span style="font-weight: 400;">“&#8230; &#8230;, o Estado Brasileiro, as suas elites e sucessivos governantes, sempre nos trataram como empecilhos a seus projetos de desenvolvimento, de ocupação e de morte. Daí pode ser compreendido o porquê do Estado nunca ter se estruturado para cumprir e tornar realidade os preceitos constitucionais”.</span></i></p>
<p style="text-align: justify;"><b><i>Declaração do Abril Indígena – Acampamento Terra Livre 2021.</i></b></p>
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			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_1  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p><!-- wp:paragraph --><strong>Por Marcelo Zelic</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
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			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_2  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A violência contra os Povos Indígenas está exacerbada no Brasil, </span><span style="font-weight: 400;">mais intensa e grave</span><span style="font-weight: 400;">. Ataques coordenados acontecem em todas as esferas do Estado brasileiro e ataques não coordenados, fruto de ações, estímulos e omissões por parte das autoridades e da FUNAI, têm ocorrido com diversos tipos de agressões e violências em seus territórios e aldeias, promovendo graves violações de direitos humanos contra os Povos Indígenas por todo território nacional. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A emergência indígena declarada em 2019 pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), é um chamado à ação em defesa de valores caros à vida; como a diversidade dos modos de existir em sociedade e o uso da terra e meio ambiente, o respeito aos limites territoriais de áreas de proteção ambiental e terras indígenas, à pessoa humana e demais formas de vida, às culturas e crenças diversas e aos direitos afirmados em 1988 em seus artigos 5, 231 e 232 de nossa Constituição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">O governo Bolsonaro promove o genocídio indígena no Brasil ao resgatar em sua pratica, no exercício do poder, visões de mundo e desenvolvimento do período da ditadura militar, que foram abolidos pela Constituição de 1988, quando afastou por um conjunto de leis, a tutela, a política integracionista e a imposição de projetos de desenvolvimento em territórios indígenas como políticas do Estado em sua relação com os povos indígenas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">É um governo de destruição. Fustiga desde seu primeiro dia, com atos e palavras, atuando contra os direitos indígenas e a vivência pluriétnica e democrática em sociedade, promovendo e estimulando uma relação desrespeitosa, agressiva e dolorosa para com os 305 povos existentes no país, impondo mais um ciclo de repetição do tempo do desassossego, do tempo da violência explícita, onde a estigmatização, a invisibilização da palavra e desejo indígena e reforço do preconceito junto à população, são ferramentas do Estado para viabilizar a ferro e a fogo o desenvolvimento que deseja, agredindo os povos indígenas, a sociedade brasileira e a Constituição. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Em 2016, através de um golpe que destituiu a presidente eleita Dilma Rousseff, um novo ciclo de desenvolvimento predatório passou a dar os rumos e o ritmo da espoliação das riquezas brasileiras e os povos indígenas e suas terras estão no olho desse furacão. Vivem em terras cobiçadas pelos setores que deram e se beneficiam do golpe jurídico-parlamentar-midiático aplicado.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">O governo Bolsonaro trata os povos indígenas como aqueles que atrapalham esse “desenvolvimento”, como fizeram os militares em seus governos entre 1964-1985. A Comissão Nacional da Verdade (CNV) bem demonstrou em seu relatório final, a violência que esse tipo de “desenvolvimento” provoca e as graves violações de direitos humanos cometidas contra os povos indígenas no período. Hoje, como na ditadura militar, que foi condenada por genocídio indígena pelo Tribunal Russell em 1980, o presidente do Brasil e o governo brasileiro têm de responder em tribunal penal e organismos internacionais sobre o genocídio indígena em curso, que executam em nosso país.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Sem pudor e com pressa, destroem pelo fogo e com a caneta a partir dos cargos que ocupam. Destroem políticas estruturadas por décadas, desregulamentam, embaralham o direito para judicializar suas ilegalidades em busca de tempo, tempo este para a consolidação de invasões de territórios e negociatas de fraudes cartoriais de posse e venda de terras indígenas e públicas ou a legalização via legislativo da grilagem, bem como a imposição de projetos desenvolvimentistas nestas terras. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Queimadas no Pantanal e na Amazônia brasileira devastam o meio ambiente e são os símbolos da invasão que ocorre sobre todos os biomas do Brasil no governo Bolsonaro, atingindo o meio ambiente, as terras imemoriais dos povos indígenas e de outras comunidades tradicionais. Se essas terras são demarcadas ou estão em disputa judicial ou processo de recomenhecimento, não importa para o governo Bolsonaro, é necessário entregá-las para a mineração, o garimpo, o agronegócio, para o comércio ilegal de madeira e a especulação imobiliária até o fim do mandato em 2022, como tem feito com as empresas estatais, patrimônio estratégico do povo brasileiro, privatizadas em crime de lesa-pátria.</span></p>
<p><a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/hemeroindio/3140" target="_blank" rel="noopener" title="Leia a íntegra da entrevista - Jornal Porantim nº 9, julho de 1979"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/08/figura-2.jpg?resize=255%2C300&#038;ssl=1" width="255" height="300" alt="Leia a íntegra da entrevista - Jornal Porantim nº 9, julho de 1979" class="wp-image-17153 aligncenter size-medium" style="float: left;" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/08/figura-2.jpg?resize=255%2C300&amp;ssl=1 255w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/08/figura-2.jpg?w=350&amp;ssl=1 350w" sizes="(max-width: 255px) 100vw, 255px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">A emergência indígena é um chamado aos direitos humanos, para que atuem e se organizem, criando redes e articulações em defesa da existência indígena no Brasil, de seus direitos territoriais, culturais e meio ambiente, pois como disse Dom Tomás Balduíno, presidente do Conselho Indigenista Missionário em uma entrevista ao jornal Porantim, em 1979, </span><i style="font-size: 14px;">“não se deve silenciar nenhum crime contra o índio”</i><span style="font-size: 14px;">.</span><span style="font-size: 14px;"> </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Essas suas palavras proferidas ainda durante a ditadura militar, retornam nos dias de hoje e vão de encontro ao chamado de emergência indígena feito pela APIB, para que a repetição da violência de Estado promovida pelo governo Bolsonaro cesse e não tenhamos daqui alguns anos ou décadas, estudos que apontem como a CNV mostrou depois de quase 50 anos, que os povos indígenas tiveram em somente 10 povos estudados, 20 vezes mais mortos e desaparecidos entre seus membros no período estudado de 1946-1988, violência intensificada durante a ditadura a partir de 1964, chegando-se a um número subestimado de 8.350 vidas indígenas vítimas do processo de desenvolvimento realizado pelos militares, cujas práticas retornam como base da ação do Estado neste governo, acusado de genocída.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">A Comissão Nacional da Verdade ao publicar seu relatório final em dezembro de 2014, deixou como legado e dívida ao Estado brasileiro, e também à sociedade nacional, 13 recomendações a serem cumpridas para promover mecanismos de respeito aos povos indígenas e mudar a relação de violência contra seus membros e seus territórios, promovida a cada ciclo de desenvolvimento no Brasil. Se cumpridas, apontam caminhos que fortalecem a democracia, a efetivação da justiça de transição para os povos indígenas e o Nunca Mais para toda a sociedade.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">São 13 recomendações que atacam aspectos importantes que sustentam os mecanismos de apartheid imposto aos povos indígenas e seus direitos, visando o esbulho de suas terras. Dividem-se em recomendações pedagógicas, estruturais e reparadoras de direitos, porém desde sua publicação, jamais foram reconhecidas pelo Estado brasileiro e nunca foram desenvolvidas políticas para sua implementação. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Pelo contrário, vivemos um período de retirada de direitos contra os indígenas por parte de autoridades do Estado brasileiro, que atuam repetindo ações que violentam a cidadania indígena, sua cultura, território, direitos e desejos. Repete-se com a política de “passar a boiada” do Governo Bolsonaro, o mesmo uso de doenças, surtos e epidemias nas aldeias e comunidades para avançar contra o território indígena e tomar suas terras. Segundo dados publicados pelo Greenpeace, em 2020 durante a pandemia do COVID 19 o </span><span style="font-size: 14px;">desmatamento </span><span style="font-size: 14px;">na Amazônia </span><span style="font-size: 14px;">em terras indígenas aumentou 59%, como resultado de uma política indigenista genocida como vem denunciando a APIB.</span></p>
<p><span style="font-size: 14px;"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="876" height="620" src="https://i0.wp.com/www.greenpeace.org/static/planet4-brasil-stateless/2020/05/06f8ce9d-mapa_deter_terrasindigenas.jpg?resize=876%2C620&#038;ssl=1" alt="" class="size-medium alignnone" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" /></span></p>
<p style="text-align: center;"><a href="https://www.greenpeace.org/brasil/press/desmatamento-em-terras-indigenas-aumenta-59-durante-a-pandemia-da-covid-19/" target="_blank" rel="noopener"><em><span style="font-size: 14px;">Desmatamento em terras indígenas aumenta 59% na pandemia.</span></em></a></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">O Nunca Mais é uma realidade distante da vida e do cotidiano dos povos indígenas, nem em ciclos democráticos chegaram perto deste conceito, sofrem hoje ameaças e atentados à suas vidas, assassinatos, espancamentos, incêndios criminosos de moradias e casas de reza em suas aldeias, repressão policial violenta em suas manifestações, perseguição política e judicial de suas lideranças, vivem em luta para garantir suas existências, como os demais segmentos da sociedade que sofrem com as repetidas violências de Estado que ocorrem no Brasil, com a diferença que o foco da violência contra a população indígena não é a contenção social e sim a expropriação de seus terriitórios. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">A violência estrutural e estruturada do Estado brasileiro contra a pessoa do indígena, seus direitos constitucionais, cultura e territórios tradicionais, segue com caráter permanente e agressivo por parte de setores da sociedade que hoje comandam o país. Por isso a CNV apontou a necessidade de campanhas nacionais de esclarecimento à população sobre os direitos indígenas e a importância de uma relação respeitosa com esses povos, que são pilares do combate ao desmatamento e ao aquecimento global. Contra a invisibilidade determinou que a inclusão das graves violações de direitos humanos contra os povos indígenas se faça presente no currículo oficial da rede escolar de ensino e a criação de fundos específicos de fomento à pesquisa e difusão cultural e educativa, incluindo investigações acadêmicas sobre violações não atingidas pelos estudos da CNV.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Solicitou a mudança ou criação de legislação para conceder reparações coletivas aos povos indígenas, vítimas do desenvolvimentismo do Estado brasileiro, a abertura de processos judiciais para fins de reparação e a criação da </span><i style="font-size: 14px;">Comissão Nacional Indígena da Verdade</i><span style="font-size: 14px;"> para dar continuidade aos trabalhos iniciados em novembro de  2012 e a efetivação da justiça de transição para os povos indígenas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Apontou ainda que o mais importante mecanismo de não-repetição da violência contra os povos indígenas é a demarcação de suas terras, desintrusão de invasores e a recuperação ambiental das áreas devastadas, como forma de ensinar à sociedade e aos agentes do Estado brasileiro o respeito ao território, aos direitos e à cultura desses povos originários de nosso país.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">A resposta dos setores que tomaram o Estado brasileiro pelo golpe de 2016 e a farsa eleitoral de 2018, vai além do não reconhecimento da necessidade de se mudar condutas e políticas públicas no trato com os povos indígenas, levando-se em conta as recomendações da Comissão Nacional da Verdade, atuam frontalmente contra elas, buscam e disseminam a repetição da violência, aplicando os mesmos métodos já usados naqueles tristes tempos de ditadura militar.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Assim, à sociedade cabe promover junto com os povos indígenas a judicialização das reparações para que haja efetivação da justiça de transição. É preciso assumirmos a tarefa de criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade e interpelar judicialmente setores do Estado para o cumprimento das recomendações, tanto no executivo como no legislativo e no judiciário.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">É fundamental trabalharmos a busca da verdade, povo a povo, registrando as violências sofridas e ocultas até hoje em função de um desenvolvimento genocida e desrespeitoso à vida, mas buscar a verdade não só para contar as histórias de violência que existem em nosso país, mas sim, buscar a verdade para reparar cada caso estudado. Buscar a verdade para compreender a dinâmica da ação violenta do Estado, seus mecanismos de opressão, ocultamento da violência e impunidade, para a partir daí construir mecanismos de não-repetição.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Reparar os povos indígenas e promover a construção de mecanismos de não-repetição são os pilares que devem nortear as ações de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade, mas é preciso também que os casos estudados possam servir para apontar em nosso presente as repetições de práticas e condutas violentas de agentes do atual governo, fundamentando, em um capítulo específico, pedidos de responsabilização criminal pelas ações que têm desenvolvido durante a gestão Bolsonaro, para que seus crimes não fiquem impunes, como os de períodos anteriores.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Atacar os povos indígenas e seus direitos são graves ataques aos pilares da democracia, a superação do aquecimento global e mudanças climáticas que já se impõem por todo o planeta. Que a sociedade, as universidades e os direitos humanos se unam aos povos indígenas para a construção da Comissão Nacional Indígena da Verdade, a busca de efetivação das recomendações da CNV e da justiça de transição para os povos indígenas, para que quebremos esse ciclo permanente de violência e impunidade. É preciso dar um basta a esta violência continuada em nosso país.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;">Sangue indígena, nenhuma gota a mais. Demarcar é reparar. </span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14px;"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Marcelo Zelic é membro da Comissão Justiça e Paz de São Paulo e coordenador do Armazém Memória.</span></p></div>
			</div>
			</div>
				
				
				
				
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;">PELA CRIAÇÃO DA COMISSÃO NACIONAL INDÍGENA DA VERDADE</p>
<p style="text-align: right;"></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_4  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><em>com rede solidária de pesquisa e trabalho colaborativo</em></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: right;"></div>
			</div><div class="et_pb_button_module_wrapper et_pb_button_0_wrapper et_pb_button_alignment_center et_pb_button_alignment_tablet_center et_pb_module ">
				<a class="et_pb_button et_pb_button_0 et_hover_enabled et_pb_bg_layout_dark" href="http://armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2020/06/Painel-08.jpg" target="_blank">Recomendações da Comissão Nacional da Verdade</a>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_divider et_pb_divider_1 et_pb_divider_position_ et_pb_space"><div class="et_pb_divider_internal"></div></div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_5  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><em>campanha </em><em>de 2012 </em><em>do Armazém Memória e Toda Ópera por verdade, memória, justiça e reparação para os Guarani-Kaiowá e demais povos indígenas</em>.</p></div>
			</div>
			</div>
				
				
				
				
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				<div class="et_pb_text_inner"><p style="text-align: center;"><a href="https://armazemmemoria.com.br/centros-indigena/"><strong>VISITE O CENTRO DE REFERÊNCIA VIRTUAL INDÍGENA</strong></a></p></div>
			</div><div class="et_pb_module et_pb_text et_pb_text_8  et_pb_text_align_left et_pb_bg_layout_light">
				
				
				
				
				<div class="et_pb_text_inner"><h3 style="text-align: center;"><strong>ESPECIAIS</strong><a href="https://armazemmemoria.com.br/centros-indigena/"><strong></strong></a></h3></div>
			</div>
			</div>
				
				
				
				
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				<a href="https://armazemmemoria.com.br/memoria-interetnica/" target="_blank"><span class="et_pb_image_wrap "><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" width="250" height="250" src="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/05/memoria-interetinica-250x250-2.jpg?resize=250%2C250" alt="Memória Interétnica: Centro de Referência VIrtual Indígena" title="Memória Interétnica: Centro de Referência VIrtual Indígena" srcset="https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/05/memoria-interetinica-250x250-2.jpg?w=250&ssl=1 250w, https://i0.wp.com/armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2021/05/memoria-interetinica-250x250-2.jpg?resize=150%2C150&ssl=1 150w" sizes="auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px" class="wp-image-15047" /></span></a>
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		<title>Waimiri-Atroari a reparação necessária</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Nov 2015 21:25:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão Nacional da Verdade apontou em seu relatório final a barbaridade que viveram os membros do povo Waimiri-Atroari, sendo mortos e desparecidos em torno de 2.300 pessoas, vítimas do modelo de desenvolvimento. O cacique Maroaga assassinado em 1974 é o rosto da resistência de seu povo. A reparação ao povo Waimiri-Atroari é fundamental para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A Comissão Nacional da Verdade apontou em seu relatório final a barbaridade que viveram os membros do povo Waimiri-Atroari, sendo mortos e desparecidos em torno de 2.300 pessoas, vítimas do modelo de desenvolvimento. O cacique Maroaga assassinado em 1974 é o rosto da resistência de seu povo. A reparação ao povo Waimiri-Atroari é fundamental para o fortalecimento da democracia e avanço no processo de justiça de transição.</p>
<p>FONTE: <a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=HemeroIndio&amp;PagFis=11394" target="_blank" rel="noopener">http://www.docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=HemeroIndio&amp;PagFis=11394</a></p>
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		<title>Ditadura e violação dos direitos dos povos indígenas do Brasil &#124; EBC</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2015 20:19:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRV BRASIL NUNCA MAIS]]></category>
		<category><![CDATA[CRV INDÍGENA]]></category>
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				<div class="et_pb_text_inner"><h4 style="text-align: justify;">Diretor do Grupo Tortura Nunca Mais faz um balanço do relatório da Comissão Nacional da Verdade</h4>
<p><audio class="wp-audio-shortcode" id="audio-4277-1" preload="none" style="width: 100%;" controls="controls"><source type="audio/mpeg" src="https://armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2015/11/7faa600f3fadcc1c6a24abfcd1e20964.mp3?_=1" /><a href="https://armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2015/11/7faa600f3fadcc1c6a24abfcd1e20964.mp3">https://armazemmemoria.com.br/wp-content/uploads/2015/11/7faa600f3fadcc1c6a24abfcd1e20964.mp3</a></audio></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><div style="width: 210px" class="wp-caption alignleft"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="" src="https://i0.wp.com/imagens.ebc.com.br/qlwviS_2mNPJEtA_WX44YIqQBys%3D/200x136/smart/http%3A//radios.ebc.com.br/sites/_radios/files/waimiri-atroari.jpg?resize=200%2C136" alt="" width="200" height="136" /><p class="wp-caption-text">Waimiri Atroari TV Brasil</p></div></p>
<div class="field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden">
<div class="field-items">
<div class="field-item even">
<p style="text-align: justify;">O <strong>Amazônia Brasileira</strong> desta quinta-feira (15) recebe Marcelo Zelic, Diretor do Grupo Tortura Nunca Mais. Ele faz um balanço do resultado da Comissão Nacional da Verdade (CNV), em particular no que diz respeito à violação dos direitos dos povos indígenas do Brasil que foram afetados diretamente, e em todo o país, pelas consequências da ditadura no país.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele acaba de retornar de uma viagem ao território do povo Tupinambá, na Bahia, que sofreu diversos ataques dos sucessivos governos militares, inclusive de uma política local que seguia os mesmos padrões do Governo Federal da época.</p>
<p style="text-align: justify;">O Grupo Tortura Nunca Mais tem questionado, ao lado de outras organizações de defesa dos direitos humanos, o resultado do relatório sobre os povos indígenas, que teria sido muito incipiente para o número e a gravidade dos casos de violência sofridos por todos os povos àquela época. Houve prisão, tortura, desterro, e há casos em que os índios chegaram a ser atacados por bombas de napalm em suas aldeias.</p>
<p style="text-align: justify;">Algumas consequências dessas violações são sentidas até hoje, como no caso dos Waimiri Atroari, que foram atacados pelo exército brasileiro por via aérea, para que saíssem do território onde foi construída, para o transporte de minérios, a BR 174, motivo de conflito entre esse povo e a população local até os dias atuais.</p>
<p style="text-align: justify;">Os grupos de defesa dos direitos humanos querem também saber da compensação que cabe a esses povos e que providências serão tomadas nesse sentido. Ele nos conta como estão as discussões em relação a isso, e relata as consequências gerais do relatório da CNV.</p>
<p style="text-align: justify;">O programa vai ao ar de segunda a sexta-feira a partir das 08h na <strong>Rádio Nacional da Amazônia</strong>, em rede com a <strong>Rádio Nacional do Alto Solimões</strong>, onde é transmitido ao vivo às 05h. A produção e a apresentação são de Beth Begonha.</p>
</div>
</div>
</div>
<div class="field field-name-field-produtor field-type-text field-label-inline clearfix">
<div class="field-label" style="text-align: justify;">Produtor</div>
<div class="field-items">
<div class="field-item even" style="text-align: justify;">Beth Begonha</div>
</div>
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			</div></p>
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		<title>Povos indígenas na mira da ditadura e do Congresso &#124; FSP</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Dec 2014 19:39:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRV INDÍGENA]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da Verdade]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><iframe loading="lazy" style="border: none; overflow: hidden;" src="https://www.facebook.com/plugins/share_button.php?href=http%3A%2F%2Farmazemmemoria.com.br%2Fpovos-indigenas-na-mira-da-ditadura-e-do-congresso%2F&amp;layout=button_count&amp;mobile_iframe=true&amp;width=147&amp;height=20&amp;appId" width="147" height="20" frameborder="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2014/12/1563338-daniel-calazans-pierri-e-marcelo-zelic-povos-indigenas-na-mira-do-congresso.shtml" target="_blank">FOLHA DE SÃO PAULO &#8211; Tendências e Debates</a></p>
<p style="text-align: justify;">É preciso escrever com todas as letras o que resta comprovado no relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), publicado na última quarta-feira: os indígenas foram os maiores atingidos na Ditadura. Com base em uma amostra reconhecidamente restrita de casos, o relatório da CNV estima que no mínimo 8.350 indígenas foram mortos por conta de políticas de Estado no período investigado (1946-1988).</p>
<p style="text-align: justify;">Ao recomendar que as investigações sobre o tema sejam aprofundadas para abranger os &#8220;casos não detalhados no estudo&#8221;, o relatório sugere ainda que o número de indígenas mortos deve ser &#8220;exponencialmente maior&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Apenas essa cifra inicial, entretanto, é quase 20 vezes maior que o número de mortos e desaparecidos identificados de forma individualizada no mesmo relatório da CNV, dando dimensão da extensão das violências cometidas contra indígenas no período.</p>
<p style="text-align: justify;">Para além da questão numérica, foram os mais diversos tipos de graves violações de direitos humanos que atingiram os povos indígenas, e que, segundo o relatório, se alastraram por todo o território brasileiro em todo o período investigado: remoções forçadas de suas terras, genocídio de povos inteiros, prisões, torturas, maus-tratos, monitoramento e perseguição do movimento indígena que se organizava, tudo isso perfeitamente documentado.</p>
<p style="text-align: justify;">O relatório reconhece ainda que &#8220;os diversos tipos de violações dos direitos humanos cometidos pelo Estado brasileiro contra os povos indígenas se articularam em torno do objetivo central de forçar ou acelerar a &#8216;integração&#8217; dos povos indígenas e colonizar seus territórios sempre que isso foi considerado estratégico para a implementação do projeto político e econômico&#8221; do governo, o que mostra a atualidade da questão.</p>
<p style="text-align: justify;">Não foi por outro motivo senão o da apropriação das terras indígenas que a partir de uma aplicação da Doutrina de Segurança Nacional, novamente segundo a CNV, foi gestada a ideologia ainda vigente no neodesenvolvimentismo governista de que os índios seriam &#8220;empecilhos ao desenvolvimento&#8221;: trata-se de uma transformação evidente do tema da busca de &#8220;inimigos internos&#8221;, eixo fundamental da doutrina militar na Guerra Fria.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, diz o relatório, a perseguição aos índios no período é perfeitamente análoga àquela que incidiu sobre grupos organizados na luta contra a Ditadura. E é uma perseguição política também por incidir sobre o &#8220;modo de ser&#8221; de cada povo e violar direitos fundamentais, como os de liberdade de pensamento e religião.</p>
<p style="text-align: justify;">As analogias entre o que ocorreu no período investigado e o que ocorre ainda hoje a partir da implantação de projetos econômicos que impactam terras indígenas são evidentes. Mas as continuidades em relação às violações no período são ainda mais arcaizantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Ontem mesmo, ruralistas articularam um verdadeiro estado de sítio na Câmara, utilizando a tropa de choque para impedir a entrada de lideranças indígenas em sessão que visava a apreciação de relatório que recomenda a aprovação da PEC 215. Quatro lideranças foram presas de maneira arbitrária.</p>
<p style="text-align: justify;">Passando as demarcações de terras indígenas para o controle de um Congresso de maioria ruralista, a medida permitiria um novo ciclo de colonização dessas terras, através das mãos do mesmo poder oligárquico que sustentou a Ditadura.</p>
<p style="text-align: justify;">Um dos coautores da PEC 215 (através da gêmea PEC 411, apensada) é o Deputado Abelardo Lupion (DEM), neto de Moisés Lupion, que foi apontado no relatório da CNV como o responsável pelo maior e mais sistemático esbulho de terras indígenas no Estado do Paraná, onde foi governador por duas vezes.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro parlamentar é citado diretamente no relatório: o Senador Romero Jucá é apontado como responsável pelo massacre de centenas de yanomamis que morreram por consequência das epidemias propulsionadas pela invasão de garimpeiros em seu território já no fim da década de 1980, autorizada por Jucá quando era presidente da Funai. Ele é autor de projeto que visa &#8220;regulamentar&#8221; o artigo 231 da Constituição legalizando todo e qualquer o tipo de exploração econômica de terras indígenas por terceiros.</p>
<p style="text-align: justify;">Se, como aponta a CNV, a Constituição de 1988 poderia ser considerada marco legal de anistia dos povos indígenas, por decretar o fim da política integracionista, hoje ela está ameaçada pelos ruralistas enquanto a perseguição aos índios, aos seus direitos e às suas terras continua na ordem do dia.</p>
<p class="tagline" style="text-align: justify;"><b>DANIEL CALAZANS PIERRI</b>, 30, antropólogo, é membro da coordenação geral do CTI (Centro de Trabalho Indigenista)<br />
<b>MARCELO ZELIC</b>, 51, é vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais &#8211; SP e membro da Comissão de Justiça e Paz &#8211; SP</p>
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		<title>Documentos Secretos da Ditadura &#124; &#124; TV Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 21 May 2013 22:49:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRV BRASIL NUNCA MAIS]]></category>
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		<category><![CDATA[Comissão da Verdade]]></category>
		<category><![CDATA[Relatório Figueiredo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) expirou o prazo estabelecido pela Lei de Anistia para que arquivos secretos da ditadura continuassem fechados. Entretanto, no final do seu segundo mandato, FHC criou uma lei que estabelecia sigilo por tempo indeterminado para documentos com carimbo de “ultrassecreto”. Com a eleição de Lula, movimentos organizados pelo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) expirou o prazo estabelecido pela Lei de Anistia para que arquivos secretos da ditadura continuassem fechados.</p>
<div class="field field-name-body field-type-text-with-summary field-label-hidden">
<div class="field-items">
<div class="field-item even">
<p style="text-align: justify;">Entretanto, no final do seu segundo mandato, FHC criou uma lei que estabelecia sigilo por tempo indeterminado para documentos com carimbo de “ultrassecreto”.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a eleição de Lula, movimentos organizados pelo direito à memória e à verdade esperavam que a lei de FHC fosse extinta. Porém, o que ocorreu foi a formulação da <strong>Lei de Acesso à Informação</strong>, sancionada em novembro de 2011 no governo Dilma Rousseff, que estabeleceu sigilo por 5, 15 e 25 anos para arquivos classificados como “reservados”, “secretos” e “ultrassecretos”, respectivamente, com o argumento de serem imprescindíveis à segurança da sociedade e do Estado.</p>
<p style="text-align: justify;">O passo importante foi a presidência da república sancionar, junto à Lei de Acesso à Informação, a criação da <strong>Comissão Nacional da Verdade</strong>, com pleno acesso aos documentos, sejam “reservados”, “secretos” ou “ultrassecretos”. O obejtivo é trazer à tona as violações aos direitos humanos praticados por agentes do estado, de 1946 a 5 de outubro de 1988.</p>
<p style="text-align: justify;">Para discutir a questão, o programa <strong>Brasilianas.org</strong> convida o Coordenador-Geral de Memória Histórica da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça,<strong> Marcelo Torelly</strong>; um dos membros da Comissão Nacional da Verdade,<strong> Cláudio Lemos Fonteles</strong>; o vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e coordenador do projeto Armazém Memória, <strong>Marcelo Zelic; </strong>e a Procuradora da República em São Paulo, <strong>Eugênia Augusta Gonzaga.</strong></p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/r9z5R8_oypQ" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
</div>
</div>
<div class="field field-name-field-fixa-tecnica field-type-text-long field-label-hidden">
<div class="field-items">
<div class="field-item even">
<p>Apresentação: <strong>Luis Nassif</strong></p>
</div>
</div>
</div>
<p>Fonte: <em><a href="http://tvbrasil.ebc.com.br/brasilianas/episodio/documentos-secretos-da-ditadura">Documentos Secretos da Ditadura | | TV Brasil</a></em></p>
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		<title>Documento que registra extermínio de índios é resgatado após décadas desaparecido</title>
		<link>https://armazemmemoria.com.br/documento-que-registra-exterminio-de-indios-e-resgatado-apos-decadas-desaparecido/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Apr 2013 23:02:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRV INDÍGENA]]></category>
		<category><![CDATA[IMPRENSA]]></category>
		<category><![CDATA[Comissão da Verdade]]></category>
		<category><![CDATA[Povos Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Relatório Figueiredo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Relatório de mais de 7 mil páginas que relatam massacres e torturas de índios no interior do país, dado como queimado num incêndio, é encontrado intacto 45 anos depois A expedição percorreu mais de 16 mil quilômetros e visitou mais de 130 postos indígenas onde foram constatados inúmeros crimes e violações aos direitos humanos. O [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">Relatório de mais de 7 mil páginas que relatam massacres e torturas de índios no interior do país, dado como queimado num incêndio, é encontrado intacto 45 anos depois</h3>
<p style="text-align: justify;">A expedição percorreu mais de 16 mil quilômetros e visitou mais de 130 postos indígenas onde foram constatados inúmeros crimes e violações aos direitos humanos. O governo ignorou pedido do Relatório Figueiredo para demitir 33 agentes públicos e suspender 17</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de 45 anos desaparecido, um dos documentos mais importantes produzidos pelo Estado brasileiro no último século, o chamado Relatório Figueiredo, que apurou matanças de tribos inteiras, torturas e toda sorte de crueldades praticadas contra indígenas no país – principalmente por latifundiários e funcionários do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI) –, ressurge quase intacto. Supostamente eliminado em um incêndio no Ministério da Agricultura, ele foi encontrado recentemente no Museu do Índio, no Rio, com mais de 7 mil páginas preservadas e contendo 29 dos 30 tomos originais.</p>
<p style="text-align: justify;">Em uma das inúmeras passagens brutais do texto, a que o Estado de Minas teve acesso e publica na data em que se comemora o Dia do Índio, um instrumento de tortura apontado como o mais comum nos postos do SPI à época, chamado “tronco”, é descrito da seguinte maneira: “Consistia na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre denúncias de caçadas humanas promovidas com metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações propositais de varíola em povoados isolados e doações de açúcar misturado a estricnina, o texto redigido pelo então procurador Jader de Figueiredo Correia ressuscita incontáveis fantasmas e pode se tornar agora um trunfo para a Comissão da Verdade, que apura violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988.</p>
<p style="text-align: justify;">A investigação, feita em 1967, em plena ditadura, a pedido do então ministro do Interior, Albuquerque Lima, tendo como base comissões parlamentares de inquérito de 1962 e 1963 e denúncias posteriores de deputados, foi o resultado de uma expedição que percorreu mais de 16 mil quilômetros, entrevistou dezenas de agentes do SPI e visitou mais de 130 postos indígenas. Jader de Figueiredo e sua equipe constataram diversos crimes, propuseram a investigação de muitos mais que lhes foram relatados pelos índios, se chocaram com a crueldade e bestialidade de agentes públicos. Ao final, no entanto, o Brasil foi privado da possibilidade de fazer justiça nos anos seguintes. Albuquerque Lima chegou a recomendar a demissão de 33 pessoas do SPI e a suspensão de 17, mas, posteriormente, muitas delas foram inocentadas pela Justiça.</p>
<p style="text-align: justify;">Os únicos registros do relatório disponíveis até hoje eram os presentes em reportagens publicadas na época de sua conclusão, quando houve uma entrevista coletiva no Ministério do Interior, em março de 1968, para detalhar o que havia sido constatado por Jader e sua equipe. A entrevista teve repercussão internacional, merecendo publicação inclusive em jornais como o New York Times. No entanto, tempos depois da entrevista, o que ocorreu não foi a continuação das investigações, mas a exoneração de funcionários que haviam participado do trabalho. Quem não foi demitido foi trocado de função, numa tentativa de esconder o acontecido. Em 13 de dezembro do mesmo ano o governo militar baixou o Ato Institucional nº 5, restringindo liberdades civis e tornando o regime autoritário mais rígido.</p>
<p style="text-align: justify;">O vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e coordenador do Projeto Armazém Memória, Marcelo Zelic, foi quem descobriu o conteúdo do documento até então guardado entre 50 caixas de papelada no Rio de Janeiro. Ele afirma que o Relatório Figueiredo já havia se tornado motivo de preocupação para setores que possivelmente estão envolvidos nas denúncias da época antes de ser achado. “Já tem gente que está tentando desqualificar o relatório, acho que por um forte medo de ele aparecer, as pessoas estão criticando o documento sem ter lido”, acusa.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Suplícios</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O contexto desenvolvimentista da época e o ímpeto por um Brasil moderno encontravam entraves nas aldeias. O documento relata que índios eram tratados como animais e sem a menor compaixão. “É espantoso que existe na estrutura administrativa do país repartição que haja descido a tão baixos padrões de decência. E que haja funcionários públicos cuja bestialidade tenha atingido tais requintes de perversidade. Venderam-se crianças indefesas para servir aos instintos de indivíduos desumanos. Torturas contra crianças e adultos em monstruosos e lentos suplícios”, lamentava Figueiredo. Em outro trecho contundente, o relatório cita chacinas no Maranhão, em que “fazendeiros liquidaram toda uma nação”. Uma CPI chegou a ser instaurada em 1968, mas o país jamais julgou os algozes que ceifaram tribos inteiras e culturas milenares.</p>
<p style="text-align: justify;">Fonte: <em><a href="http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2013/04/19/interna_politica,373440/documento-que-registra-exterminio-de-indios-e-resgatado-apos-decadas-desaparecido.shtml">Estado de Minas</a></em></p>
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