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	<title>Arquivo de Amazônia - Armazém Memória</title>
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	<description>Um resgate coletivo da história</description>
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	<title>Arquivo de Amazônia - Armazém Memória</title>
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		<title>Amazônia: Bradesco, a denúncia de Figueiredo e a matança de 60 trabalhadores rurais.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2016 01:28:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Comissão da Verdade do Pará tem motivos de sobra para avançar nas investigações sobre a penetração econômica na Amazônia, de grupos nacionais e estrangeiros, e jogar luz sobre a violência perpetrada contra trabalhadores rurais nos sertões do sul do Pará. &#160; &#160; Por Paulo Fonteles Filho e Marcelo Zelic &#160; O assassinato de 60 [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://armazemmemoria.com.br/amazonia-bradesco-a-denuncia-de-figueiredo-e-a-matanca-de-60-trabalhadores-rurais/">Amazônia: Bradesco, a denúncia de Figueiredo e a matança de 60 trabalhadores rurais.</a> apareceu primeiro em <a href="https://armazemmemoria.com.br">Armazém Memória</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h3 style="text-align: justify;">A Comissão da Verdade do Pará tem motivos de sobra para avançar nas investigações sobre a penetração econômica na Amazônia, de grupos nacionais e estrangeiros, e jogar luz sobre a violência perpetrada contra trabalhadores rurais <span style="font-weight: 400;"> nos sertões do sul do Pará.</span></h3>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_1305" style="width: 1523px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=029033_15&amp;PagFis=63360" target="_blank"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1305" class="wp-image-1305 size-full" src="https://i0.wp.com/institutopaulofonteles.org.br/wp-content/uploads/2016/07/diario-associados-propagandao.jpg?resize=1080%2C557" alt="diario-associados-propagandao" width="1080" height="557" /></a><p id="caption-attachment-1305" class="wp-caption-text">Propaganda do Bradesco publicada no Diário de Pernambuco em 15/11/1974 por ocasião do cinquentenário dos Diários Associados.</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;"><iframe loading="lazy" style="border: none; overflow: hidden;" src="https://www.facebook.com/plugins/share_button.php?href=http%3A%2F%2Finstitutopaulofonteles.org.br%2F2016%2F07%2F12%2Famazonia-bradesco-a-denuncia-de-figueiredo-e-a-matanca-de-60-trabalhadores-rurais%2F&amp;layout=button_count&amp;mobile_iframe=true&amp;width=147&amp;height=20&amp;appId" width="147" height="20" frameborder="0" scrolling="no"></iframe></p>
<p>Por Paulo Fonteles Filho e Marcelo Zelic</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_1274" style="width: 460px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=BMN_ArquivoNacional&amp;PagFis=26579" target="_blank"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1274" class="wp-image-1274" src="https://i0.wp.com/institutopaulofonteles.org.br/wp-content/uploads/2016/07/I0026579-2Alt002692Lar001903LargOri002480AltOri003508-212x300.jpg?resize=450%2C637" alt="I0026579-2Alt=002692Lar=001903LargOri=002480AltOri=003508" width="450" height="637" /></a><p id="caption-attachment-1274" class="wp-caption-text">Clique na imagem para ler o documento do Conselho de Segurança Nacional.</p></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">O assassinato de </span><b>60 camponeses</b><span style="font-weight: 400;"> pelo Grupo Bradesco, em 1974, em Conceição do Araguaia/PA, fato este totalmente desconhecido da sociedade paraense e nacional, está registrado em um documento do Fundo Divisão de Segurança e Informação do Ministério da Justiça (DSI-MJ), disponível, e pouco estudado, no acervo recolhido pelo projeto Memórias Reveladas do Arquivo Nacional.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Em correspondência de 05/06/1974, o então Chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI) e membro do Conselho de Segurança Nacional (CSN), General João Batista Figueiredo, que viria a suceder Geisel, envia documento confidencial ao Ministro do Interior, Maurício Rangel Reis, notificando os “</span><i><span style="font-weight: 400;">problemas de terras em Conceição do Araguaia no Pará</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A informação encaminhada pelo CSN à Presidência da República, foi objeto de despacho em 05/07/1974, consultando o Ministro sobre a pertinência de &#8220;<em>encaminha-los [os documentos] ao grupo de trabalho sobre posse e ocupações de terras, em via de formação no Ministério&#8221;</em>.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">O episódio revelado pelo ex-presidente Figueiredo sugere a omissão do Governo do Estado do Pará “</span><i><span style="font-weight: 400;">particularmente no que se refere à atuação da Secretaria de Segurança Pública e da Justiça Estadual. <strong>A Secretaria de Segurança e o Judiciário são acusados de omissão e conivência com os autores das arbitrariedades na região</strong></span></i><span style="font-weight: 400;">”. (grifo nosso)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">No informe do então Chefe do SNI é citada a pratica de graves violações de direitos humanos por parte da empresa. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Existem na área quatro grandes fazendas do Grupo BRADESCO. Através de “gateiros”, os representantes do Grupo BRADESCO contratam trabalhadores para realizar as derrubadas, </span></i><b><i>submetendo-os a um regime de trabalho escravo e a torturas</i></b><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">. (grifo nosso)</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-1287 alignright" src="https://i0.wp.com/institutopaulofonteles.org.br/wp-content/uploads/2016/07/Doc-DSI-MJ-1-205x300.jpg?resize=205%2C300" alt="Doc-DSI-MJ-1" width="205" height="300" />A Policia Federal, segundo conta o general, “</span><i><span style="font-weight: 400;">já realizou uma investigação que levou à conclusão que um dos administradores de uma dessas fazendas, de nome <a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/docreader.aspx?bib=BMN_ArquivoNacional&amp;pesq=AIGO+PYLES&amp;pesquisa=Pesquisar" target="_blank">AIGO HUDSON PYLES</a>, é responsável por torturas aplicadas nos trabalhadores. O nominado mantém sob suas ordens um grupo de cangaceiros e conta com a proteção do Delegado de Polícia local, do Juiz e do Promotor</span></i><span style="font-weight: 400;">” e </span><span style="font-weight: 400;">denuncia que “</span><i><span style="font-weight: 400;">em agosto de 1973, Aigo, perante professores e alunos do Colégio de CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA, espancou uma criança que havia entrado em luta corporal com seu filho, criança essa que veio a falecer no hospital local. Tendo sido, sob pressão, decretada sua prisão preventiva, foi acobertado pela polícia e fugiu para Goiânia, onde veio a ser preso em outubro de 1973</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Figueiredo revela o clima de conluio entre o Delegado de Polícia local, o coronel da PM paraense Jurandir Torres de Lima e o preposto do Bradesco revelando que </span><i><span style="font-weight: 400;">“em sua residência, nesta cidade, foram encontradas numerosas cartas do Delegado de CONCEIÇÃO DO ARAGUAIA, esclarecendo que estava envidando esforços para que o Juiz relaxasse o pedido de prisão preventiva”. </span></i></p>
<div id="attachment_1294" style="width: 302px" class="wp-caption alignleft"><a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=BibliotLT&amp;PagFis=2072" target="_blank"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" aria-describedby="caption-attachment-1294" class="wp-image-1294 size-full" src="https://i0.wp.com/institutopaulofonteles.org.br/wp-content/uploads/2016/07/Aigo-relatorio-violencia.jpg?resize=292%2C576" alt="Aigo-relatorio-violencia" width="292" height="576" /></a><p id="caption-attachment-1294" class="wp-caption-text">Assassinatos no Campo: 1964 a 1985</p></div>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Informa ainda, que “</span><i><span style="font-weight: 400;">o nominado já se encontra em liberdade, pois o Juiz desqualificou o crime cometido para o de ‘lesões corporais’. A Polícia Federal possui fotografias de menores submetidos a torturas, através de queimaduras</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Além destes fatos cita o recolhimento de taxa semanal em prostíbulos locais, tidas como “<em>taxa de manutenção</em>” e que os policiais agiam assim por determinação da Secretaria de Segurança do Pará.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">O ápice da narrativa denuncia que “r</span><i><span style="font-weight: 400;">ecentemente, em uma das fazendas do Grupo BRADESCO, teria sido desmatada uma grande área. <strong>Antes de ser iniciada a ‘queimada’, um dos capatazes determinou aos empregados para completarem o trabalho de desmatamento na parte central da área. Quando os mesmos lá se encontravam foi ateado fogo à mata e teriam morrido cerca de 60 trabalhadores dos 100 que realizavam a tarefa</strong></span></i><span style="font-weight: 400;">”. (grifo nosso)</span></p>
<p style="text-align: justify;">Não foram estes os únicos trabalhadores atingidos pelo violento modelo de gestão do Grupo Bradesco no Pará, onde, ainda no ano de 1987 persistiam <a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=DocBNM&amp;PagFis=86959" target="_blank">denúncias de trabalho escravo</a> em fazendas do Grupo Bradesco, especificamente em Santana do Araguaia, sob o comando de Zezinho da Codespar.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 02/08/1973 o jornal O Estado de São Paulo publicou matéria sobre o assassinato do posseiro Francisco Moura Leite pelo gerente Aigo Hudson Pyles  da Cia. Agropecuária Rio Araguaia, do grupo Bradesco e citado por Figueiredo.</p>
<p style="text-align: justify;">Conforme o relato do Dr. Paulo Botelho, advogado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia, publicado no relatório <a href="http://www.docvirt.com/docreader.net/DocReader.aspx?bib=BibliotLT&amp;PagFis=2032" target="_blank">Assassinatos no Campo 1964-1985</a>, <em>&#8220;o gerente Hudson sempre perseguiu os posseiros da região, queimando casas, espancando-os e até ameaçando-os de morte, para que deixassem as terras situadas dentro dos limites das fazendas do grupo Bradesco&#8221;</em>. O assassinato de Francisco se deu em frente a uma escola do município de Conceição do Araguaia, colidindo com o esforço que a partir do anos 70 o Bradesco realizou de ligar a preocupação social em educação da Fundação Bradesco à imagem do banco, sendo sua 1ª experiência justamente a criação e manutenção de uma escola no município onde ocorreu o assassinato.</p>
<p style="text-align: center;"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-1315 size-thumbnail" src="https://i0.wp.com/institutopaulofonteles.org.br/wp-content/uploads/2016/07/bradesco-escola-2-150x150.jpg?resize=150%2C150" alt="bradesco-escola-2" width="150" height="150" />     <img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-1316 size-thumbnail" src="https://i0.wp.com/institutopaulofonteles.org.br/wp-content/uploads/2016/07/diario-associados-bradesco-150x150.jpg?resize=150%2C150" alt="diario-associados-bradesco" width="150" height="150" />     <img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-1314 size-thumbnail" src="https://i0.wp.com/institutopaulofonteles.org.br/wp-content/uploads/2016/07/bradesco-escola-150x150.jpg?resize=150%2C150" alt="bradesco-escola" width="150" height="150" />     <img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" class="alignnone wp-image-1318 size-thumbnail" src="https://i0.wp.com/institutopaulofonteles.org.br/wp-content/uploads/2016/07/bradesco-escola-3-150x150.jpg?resize=150%2C150" alt="bradesco-escola-3" width="150" height="150" /></p>
<p style="text-align: center;">Reportagens sobre as escolas da Fundação Bradesco entre 1970-1971.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Apesar das manifestações, à época,  de pesar do presidente do banco Amador Aguiar, repudiando a conduta de seu gerente e promovendo seu afastamento do Bradesco, o advogado Paulo Botelho o aponta também como culpado pelo crime. Diz ele: “</span><i><span style="font-weight: 400;">desde setembro de 1971, quando lhe enviei uma carta, o senhor Amador Aguiar está ciente e consciente de que suas fazendas estavam sob direção de um facínora, que usava e abusava de todas as crueldades, com a ajuda de pistoleiros armados</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">Com exceção do episódio do lavrador morto por Aigo Hudson Pyles, os crimes registrados pelo general João Batista Figueiredo seguem não só impunes, como nunca foram tornados públicos, nem pela grande imprensa e tampouco pelos jornais alternativos da época. O afastamento do gerente da fazendo do Grupo Bradesco em 1973, não impediu que morressem queimados 60 trabalhadores no ano seguinte e o trabalho escravo existisse ao menos até 1987.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A Comissão da Verdade do Pará, uma das últimas a desenvolver o tema da Justiça de Transição no país, têm o desafio de apontar casos como este ao Ministério Público Federal para elucidar tão hediondos acontecimentos na Amazônia paraense e proporcionar a justiça, reparação aos atingidos e a verdade aos brasileiros e brasileiras.</span></p>
<p style="text-align: justify;">FONTE: <a href="http://institutopaulofonteles.org.br/2016/07/12/amazonia-bradesco-a-denuncia-de-figueiredo-e-a-matanca-de-60-trabalhadores-rurais/" target="_blank">http://institutopaulofonteles.org.br/2016/07/12/amazonia-bradesco-a-denuncia-de-figueiredo-e-a-matanca-de-60-trabalhadores-rurais/</a></p>
<p>O post <a href="https://armazemmemoria.com.br/amazonia-bradesco-a-denuncia-de-figueiredo-e-a-matanca-de-60-trabalhadores-rurais/">Amazônia: Bradesco, a denúncia de Figueiredo e a matança de 60 trabalhadores rurais.</a> apareceu primeiro em <a href="https://armazemmemoria.com.br">Armazém Memória</a>.</p>
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