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Apresentação

A complexidade de uma cultura, muitas vezes, está sintetizada em suas singularidades, imperceptíveis ao olhar desatento. Entender o significado de uma palavra na língua tupi-guarani ou demais línguas indígenas que existem no Brasil, pode abrir as portas para a compreensão da diversidade da cultura milenar dos povos indígenas.

A pequena palavra Cy serve de exemplo. Segundo alguns autores e relatos da tradição oral, Cy teria o significado de MÃE, contendo em si todas as divindades femininas e maternas da cultura tupi-guarani. Assim, Yacy é a Lua; Aracy, Mãe do dia; Yacyara, Mãe do luar; Ceiucy, a constelação das Plêiades, a Mãe das estrelas; e a divindade maior, Nhandecy, nossa mãe, a MÃE TERRA. Para os tupi-guaranis e demais povos indígenas, somos filhos dela e não proprietários. É ela que nos abriga em meio a um conjunto variado de seres e ecossistemas.

Na cultura tupi-guarani, a MULHER exerce o papel de guardiã da ancestralidade, cabendo-lhe, por isso, diversas funções: manter viva a língua para as gerações futuras; praticar e transmitir os princípios da agricultura diversificada; ser a guardiã das sementes; selecionar as plantas medicinais; ensinar o uso dos alimentos relacionados aos ciclos da natureza, às temporadas de caça e pesca; praticar o trabalho coletivo na terra.

As cunhãs (jovens mulheres) são guerreiras que lutam, lado a lado com os guerreiros, por seus direitos, pela demarcação das terras indígenas e pela preservação do meio ambiente. Estarão em Brasília a partir de 22 de agosto, manifestando o repúdio à PL 490/Marco Temporal e acompanhando o julgamento no STF do importante caso que será julgado neste tribunal sobre a disputa de terras do povo Xokleng, com repercussão geral no judiciário brasileiro.

Nós, do Coletivo Linhas de Sampa, apoiamos as lutas dos povos indígenas, porque entendemos que, desse modo, além de prestar solidariedade, também estamos defendendo o meio ambiente, a nossa mãe terra e combatendo o aquecimento global.

Esta exposição virtual de panfletos bordados com motivos indígenas e da natureza é uma das formas de participação nessa luta.

Dedicamos este nosso trabalho às mulheres de todas as comunidades dos povos indígenas, com a convicção de que UM MUNDO MELHOR É POSSÍVEL.

Bem vindos e bem vindas à nossa exposição.

Coletivo Linhas de Sampa.

Linhas de Sampa

Linhas de Sampa é um coletivo autônomo, formado por militantes de esquerda, suprapartidário, cujas iniciativas e ações dependem, única e exclusivamente, de decisões tomadas democraticamente no próprio grupo, após discussões entre os membros.

Bordamos democracia, justiça social, liberdade, solidariedade, saúde, educação, meio ambiente, direitos indígenas, igualdade e diversidade de gênero, contra o racismo e qualquer espécie de preconceito, sempre ao lado dos mais vulneráveis: um coletivo político.

Nossa forma de luta principal é o panfleto, um quadradinho de tecido bordado com as ideias que defendemos, que pode ser preso em roupas, bolsas etc. Também produzimos faixas, painéis, estandartes etc. para levarmos aos eventos.

Bordamos em locais públicos, promovemos oficinas e conversamos com os passantes, expondo nossos pensamentos. Distribuímos gratuitamente nossos panfletos, porque entendemos que ideias não se vendem.

Nosso coletivo não recebe doações financeiras: funcionamos às nossas próprias expensas e só aceitamos doações em linhas, tecidos etc.

Onde houver uma boa luta, lá estaremos!

Estamos perdendo a guerra climática? Os povos indígenas do Brasil querem saber: até quando nosso país e o mundo vão assistir Bolsonaro e seus aliados destruírem nossas florestas e o clima do planeta?

O que é o PL 490 e Marco Temporal

O “Estatuto do Índio”, promulgado em 1973, em plena ditadura militar, dispõe sobre as relações do Estado e da sociedade com os povos indígenas, considerando-os “relativamente incapazes” que deveriam ser tutelados pelo Estado (FUNAI) até a sua integração nacional. Já a Constituição de 1988, ainda em vigor, reconhece-lhes a identidade própria e assegura-lhes o direito originário de usufruto das terras por eles ocupadas, cabendo ao Estado zelar pelo reconhecimento desses direitos, abolindo a tutela e a política integracionista.

Em 2007, o deputado federal Homero Pereira (PR-MT) protocolou um projeto de lei propondo alterações no Estatuto do Índio. De lá para cá, o projeto recebeu 13 novos pontos (apensos) e foi arquivado e desarquivado três vezes. Desarquivado mais uma vez, na gestão Bolsonaro, Arthur Maia (DEM-BA), relator do PL 490, apresentou um texto substitutivo, aprovado na íntegra na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).

Esse projeto que será encaminhado para votação no final deste mês, agosto/2021, propõe alterações nas regras de demarcação das terras indígenas, que, segundo a Constituição, devem ser feitas pela União, por meio da Funai, com equipe técnica multidisciplinar, incluindo um antropólogo.

Os principais pontos do PL 490 de que discordamos são:

a) a criação de um marco temporal − só serão consideradas terras indígenas os lugares por eles ocupados até 05/10/1988, data da promulgação da Constituição. Pedidos sem essa comprovação serão negados e o processo de aprovação caberá ao Congresso;

b) a proibição da ampliação das reservas indígenas já existentes;

c) a ocupação da área, não somente por povos tradicionais, mas permitindo a mineração, garimpos, exploração hídrica, energética, exploração da malha viária e liberando a entrada e permanência das Forças Armadas e Polícia Federal, sem consultar o grupo étnico-cultural que ali habita;

d) a liberação do espaço para o cultivo de plantas geneticamente modificadas;

e) a liberação de contato com os povos isolados em territórios de “utilidade pública”,

f) a anticonstitucionalidade do PL 490.

Por isso o Coletivo Linhas de Sampa se soma à luta contra a aprovação do PL 490 e o marco temporal, em defesa dos direitos constitucionais dos povos indígenas e pelo direito de existir.

PAULO PAULINO GUAJAJARA, Guardião da Floresta. 

Presente! 

AGORA E SEMPRE! 

Como parte das ações desenvolvidas visando barrar o PL 490, o Coletivo Linhas de Sampa aderiu ao projeto do Coletivo Linhas de Santos e enviou 61 panfletos bordados para serem usados na vestimenta dos deputados e deputadas, no dia em que votarão esse famigerado Projeto de Lei em 25/08/2021.

Para saber mais sobre a história de luta e resistência dos povos indígenas, convidamos  os visitantes da exposição a conhecerem o Centro de Referência Virtual Indígena, organizado pelo Armazém Memória, que reúne mais de 1 milhão de páginas de documentos sobre a relação interétnica em nosso país. Boas pesquisas e atue em defesa dos direitos indígenas.

Exposição

Pelo Direito de Existir

Linhas de Sampa

Ative o som e clique nas imagens para visitar a exposição.

Para uma melhor visualização, sugerimos usar o recurso de tela cheia em um computador de mesa ou notebook, clicando na tecla F11. Caso sua tela seja pequena, clique na miniatura com o lado direito do mouse para abrir em uma nova guia, em seu tamanho grande.

Ao Povo Brasileiro

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Nos últimos 521 anos, esta terra foi caracterizada por violações, racismo e genocídio. Séculos de tentativas de subjugação de povos, culturas e territórios. Hoje não existem apenas armas rasgando corpos, mas também canetas assinando leis de extermínio. Quando não são apenas os criminosos que estão atacando diretamente, os governos fogem de seu dever de proteger nossos povos. E por mais que as lutas se sobreponham, não vamos permitir!

Somos os primeiros nesta terra, antes mesmo do Brasil virar Brasil.

Contra projetos de lei que violam a própria Constituição, continuaremos a nos mobilizar na capital federal, soando nossas maracas e cantando nossas canções, entre os dias 22 e 28 de agosto.

Fazemos esse apelo, mesmo durante a pandemia, porque não podemos ficar calados diante do genocídio e do ecocídio, porque a Terra grita mesmo quando estamos quietos. Que o país ouça seus povos nativos. Nossas vidas estão ligadas à terra, pois vivemos em comunhão com ela. Somos os guardiões das florestas e de todas as formas de vida que aí habitam. Diante de um Congresso que avança em uma agenda antiindígena e contra o Marco Temporal, previsto para ser votado pelo Supremo Tribunal Federal no dia 25 de agosto, vamos resistir!

Levaremos vacinados a Brasília, com todos os cuidados de higiene contra Covid-19, para tocar nossas maracas para garantir os direitos dos povos indígenas.

Venham juntos, parentes, para o acampamento LUTA PELA VIDA .

Apoio, suporte (clique aqui)

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil

CODE PARA DOAÇÕES PARA O ACAMPAMENTO 

Bordando Democracia

O Brasil é um país pluriétnico.

Diverso como é a vida.

A diversidade é o bem mais precioso.

É o que fomenta e sustenta a multiplicidade de existências.

Aceitar as diferenças e quebrar preconceitos é um desafio.

Nos outros, em nós e nas instituições.

Queremos paz e justiça para os povos indígenas.

Bordados Indígenas

Linhas de Sampa solicita aos visitantes da exposição virtual, que até o dia 28 de agosto, semana em que os povos indígenas estarão em Brasília para LUTAR PELA VIDA e pelos seus direitos constitucionais, que atuem nas redes sociais em defesa da vida indígena no Brasil. Escolha bordados de nossa coleção, baixe as imagens e publique em suas redes contra o marco temporal e o PL 490.

Pratique a solidariedade ativa em defesa dos povos indígenas e podendo, doe algum valor para a manutenção do acampamento da APIB.


Na data que marca o dia Internacional dos Povos Indígenas, a APIB solicita que a procuradoria do tribunal de Haia examine os crimes praticados contra os povos indígenas pelo presidente Jair Bolsonaro, desde o início do seu mandato, janeiro de 2019, com atenção ao período da pandemia da Covid-19.

Visite também as redes sociais do Armazém Memória e da APIB

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ESPECIAIS ARMAZÉM MEMÓRIA

catálogo

Memória Interétnica: Centro de Referência VIrtual Indígena

acervo

Exposição: Respeito ou Repetição?

exposição

Genocídio Indígena: Violência Continuada

retratos da violência

Mostra: O Índio Imaginado (1992)

resistência indígena

conflitos territoriais

UNI - União das Nações Indígenas

mostra de cinema

REALIZAÇÃO

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